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terça-feira, 30 de novembro de 2010

WikiLeaks: Bank of America Cai 3,18%

Por Marco Aurélio


No dia após a publicação pela revista Forbes da entrevista com Julian Assange, na qual o fundador do WikiLeaks promete publicar uma batelada gigante de documentos internos comprometedores "de um grande banco americano ainda em existência", as ações do Bank of America Corporation (BAC) caíram 3,18% no NYSE.

Embora Assange tenha se recusado a revelar o nome do banco em questão, o programa de Larry Kudlow na CNBC disse acreditar tratar-se do BAC. Também enumerou os outros possíveis alvos: Morgan Stanley, Wells Fargo, Citigroup, JP Morgan Chase e "talvez" o Goldman.

No programa, John Carney, co-âncora de Kudlow, diz que os dedos do mercado estão apontando para BAC, com base numa declaração anterior de Assange de que havia adquirido 5 gigabytes de informações internas vindas de dentro do banco.

Kudlow lembra que, além da queda dos papéis na Bolsa de NY, o custo dos CDS (seguro contra default) do BAC também pularam 25 bips, alcançando o nível mais alto em dezesseis meses. Suas palavras sobre o próximo alvo de Assange: "muitas pessoas concluíram tratar-se do Bank of America". 

Tudo isso está acontecendo sem Assange sequer ter mencionado o BAC. Os investidores estão tirando suas próprias conclusões e vendendo o papel - sem ter absolutamente nenhuma certeza de que Assange realmente possui documentos comprometedores, e muito menos que esses documentos se referem ao BAC. 

Na falta de certeza, sobra para todo mundo. Carney, co-âncora de Kudlow, afirma que, "Investidores no Bank of America, e também em todos os seus maiores concorrentes, estão preocupados."

Para ver o programa de Kudlow na CNBC, via Karl Denninger, clique aqui.

Para ouvir uma explicação mais sintética da situação, assista ao vídeo abaixo.

Wikileaks: Canal de Informação ou Desinformação?

Abaixo está uma história, a estas alturas já bastante divulgada pela mídia de massa, com comentários de Karl Denninger, do blog The Market Ticker. A história, publicada na revista Forbes, comenta o mais novo "vazamento" do site Wikileaks - desta vez, de informação ligada a bancos. Juliane Assange diz, com modéstia, que o impacto não será grande coisa - vai "derrubar um ou dois grandes bancos americanos", no máximo.

Depois de postar a tradução deste post de Denninger, encontrei a seguinte observação, do ótimo blog Trade with Dave. Foi escrita em 22 de outubro de 2010, quando o Wikileaks se preparava para "vazar" documentos confidenciais sobre a Guerra do Iraque.

Todo mundo já deve ter ouvido falar que o Wikileaks está se preparando para vazar mais outra batelada de informação militar dos EUA.
(Segundo a mídia americana, o Pentágono estava abaixando e adotando uma postura defensiva, preparando-se para o impacto do vazamento.)

Dave continua:
O Wikileaks começa a ficar cada vez mais parecido com um canal de desinformação, não informação. Desde quando o Pentágono "abaixa-se e adota uma postura defensiva, preparando-se para o impacto" de alguma coisa?
Marco Aurélio 

***


The Market Ticker
Karl Denninger


Postado por Marco Aurélio
Umm... agora a gente sabe por que tem tanta gente pedindo a prisão de Julian Assange, um dos fundadores do site de denúncias Wikileaks.

(Entrevista da Forbes com Julian Assange disponível em inglês aqui. M.A.)
Pergunta: Então você tem material corporativo de alto impacto para revelar?
Julian Assange: Bom, talvez o impacto não seja tão grande assim... Pode derrubar um ou dois bancos.

Pergunta: E como será o impacto?
J.A.: Bom, (não tão grande quanto o impacto de vazamento de documentos militares), mas estamos preparando a publicação de um megavazamento (megaleak) ligado a um banco. Não é tão grande quanto o megaleak sobre a Guerra do Iraque, mas são dezenas ou centenas de milhares de documentos, dependendo da definição que você adota.

Pergunta: É sobre um banco americano?
J.A.: Sim, é sobre um banco americano.

Pergunta: Um que ainda existe?
J.A.: Sim, um banco americano grande.

Pergunta: É sobre o maior banco americano?
J.A.: Prefiro não comentar.

Pergunta: Quando vai acontecer?
J.A.: No começo do ano que vem. Não posso falar mais do que isso.

Pergunta: Qual você quer que seja o resultado desse vazamento?
J.A.: (Pausa) Não tenho certeza.

Vai dar uma visão verdadeira e representativa sobre como os grandes bancos se comportam no nível executivo, de uma maneira que vai incentivar investigações e reformas, creio. Geralmente, quando obtemos um vazamento de informação a esse nível, é sobre um caso ou uma violação em particular.

Só tem um paralelo semelhante para isso. É o caso dos emails da Enron. Por que esses email tinham tanto valor? Quando a Enron caiu, vazaram, graças aos processos legais, milhares e milhares de emails internos que forneceram uma janela para a maneira como a empresa era administrada. Mostraram todas as pequenas decisões que sustentaram as violações mais escandalosas.

Esse novo vazamento será assim. Sim, haverá algumas violações escandalosas, bem como práticas não éticas. Elas serão reveladas, mas vai ser também uma oportunidade de ver todas as estruturas de decisão e o ethos a nível executivo interno – isso tudo virá à luz do dia e tem um valor incalculável. Assim como aconteceu com os registros sobre a Guerra do Iraque – bom, é verdade que houve casos nos quais houve grandes perdas de vida, e que tiveram peso como notícia, mas o valor maior está em ver a guerra em toda a sua amplitude.

É algo que poderíamos chamar de um ecossistema de corrupção. Mas também são importantes todas as tomadas de decisão diárias, gente dentro da empresa que fez vista grossa e apóia práticas antiéticas, os controles internos que falharam, as prioridades dos executivos, a maneira como acreditam estar perseguindo seu próprio interesse. A maneira como falam sobre isso.
Se você estava se perguntando por que há um desejo repentino de fechar o Wikileaks, depois do vazamento de todo tipo de material secreto sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, e isso gerou nada mais que "indignação" por parte do governo americano - bem, agora você sabe.

O Wikileaks está atrás de alguns bancos.

(Alô, Eric Holder, Ministro da Justiça dos EUA: por que você não corre atrás de alguns bancos? Estou brincando – sei que a pergunta é retórica, com uma resposta simples. É porque os executivos dos bancos têm você e o Obama, junto com o Congresso, de quatro na cama).