sábado, 4 de dezembro de 2010

Greenspan: Crise no Mercado de Títulos Resultado Inevitável do QE

Bruce Krasting
Zero Hedge

Postado por Marco Aurélio


Acho que este gráfico intradia dos Treasuries (USTs) de 30 anos dizem tudo. A divulgação dos péssimos números sobre a criação de novos postos de trabalho ex-setor agrícola (Nonfarm Payroll Numbers, ou NFP, na sigla em inglês) nos EUA fez com que os títulos saltassem no começo da manhã (por volta de 8:15). Mas logo a escalada perdeu o gás e os preços dos títulos fecharam em baixa.
Qual o motivo para essa subida no preço dos títulos, mesmo com a divulgação de um péssimo quadro de emprego? A especulação sobre novas rodadas de flexbilização monetária (QE) e de medidas de estímulo foi a maior responsável. Os números foram tão ruins que, pelas 9:30 da manhã, os especialistas na TV concluíram que os EUA não vão aumentar impostos ou rescindir cortes de impostos da Era Bush. Pode ser que o governo até resolva suspender de alguma forma os impostos de previdência social (Social Security), pelo menos por algum tempo. Esqueça toda a conversa ora existente sobre limitar o QE2. O papo agora mudou, com todo mundo se perguntando, de forma obsessiva, qual será o tamanho do QE3.

Então, com essa montanha de bobagens como pano de fundo, o preço dos títulos foi ralo abaixo, enquanto o ouro bateu um novo recorde. A confirmação de que o QE foi responsável pela queda no preço dos títulos veio no final do dia, quando houve um vazamento conveniente de uma entrevista com Ben Shalom Bernanke no próximo domingo (5/12), no programa 60 Minutes, da CBS. O vazamento citou Bernanke textualmente, “Podemos fazer mais (QE)”. O mercado de ações gostou dessa conversa e terminou no positivo, enquanto os títulos do governo caíram mais um degrau.

É bom saber que o mercado já captou a idéia de que mais QE e mais estímulo são ruins para o mercado de USTs. O mercado é a única forma de disciplina remanescente capaz de se contrapor à insanidade que se apossou de Washington. Quando as forças do mercado se voltarem contra o "Novo Monetarismo" e fecharem as portas na cara dessa insanidade monetária, a política vai mudar. Até que alguém comece a revidar, o Fed vai continuar imprimindo dinheiro. Estamos nos aproximando disso a cada dia. Veja o gráfico abaixo, mostrando as obrigações dos USTs de longa maturidade, desde o anúncio do QE2:
As taxas de longo prazo subiram 40 pontos-base só no mês passado. É a reação exatamente oposta àquilo que o Bernanke quer. Até que ponto esse aumento nas taxas de juros é deflacionário? Um pouco. Meu palpite é que o impacto das taxas crescentes exatamente compensa o benefício de estímulo de se manter as taxas de curto prazo em seus níveis históricos mais baixos. Sim, mais dívida é financiada no curto prazo do que no longo, mas um aumento nas taxas de hipoteca e uma escalada de capital a taxa fixa de longo prazo para os municípios e as empresas vão anular quaisquer eventuais benefícios da política de taxas de juros a 0% (Zero Interest Rate Policy, ou ZIRP, na sigla em inglês).

Sobre as questões: "As taxas de juros cairão dos atuais níveis de aproximadamente 3% para USTs de de dez anos, e de 4% para USTs de 30 anos, rumo aos 2% a 3% que o Bernanke está tentando criar? Ou será que vão subir para 4% ou 5%, bem diante de nossos olhos?

Na minha opinião, estamos indo para 4%, para os USTs de 10 anos, e para, pelo menos, 5% para os USTs de 30 anos. O QE vai produzir o resultado oposto ao que se pretende. Veja este gráfico de onde os EUA estão em termos de dívida. Não vale apontar para o Japão como exemplo de que as taxas terão que cair nos EUA. O Japão está e estava em uma posição muito diferente daquela dos Estados Unidos.


No cerne do dilema do Bernanke está o seguinte gráfico sobre a participação da força de trabalho. Bernanke quer acelerar a economia de volta a um nível onde a folga na participação do trabalho volte ao ponto onde estava em 2005. Acredita que esse é o mandato do Fed. Quer voltar o relógio, mas não consegue. As linhas desta tabela despencaram como resultado da recessão de '08, mas a tendência em direção a um nível mais baixo já está em vigor há uma década. O envelhecimento demográfico e uma economia exessivamente dependente do consumo e da globalização, que torna os trabalhadores americanos menos produtivos, fazem com que seja inevitável que os EUA tenham um nível muito maior de subemprego e desemprego. Mas o Bernanke não está comprando essa idéia. Sente que sua missão é lutar contra as leis da natureza. O mercado está reagindo. E o mercado vai ganhar.

Não sou um fã do Greenspan. Acho que ele nos colocou na atual situação de crise. Mas respeito sua opinião. Perguntado se os EUA vão mudar o comportamento, disse que sim, e que:
A única pergunta é, isso vai acontecer antes ou depois de uma crise do mercado de títulos (bond markets)?
Pena que o Bernanke não esteja ouvindo. A crise do mercado de títulos é o resultado inevitável.

Estado Unidos – Uma Banana Republic Emergente

Por Marco Aurélio
 
A vasta maioria dos brasileiros educados subestima a medida em que os Estados Unidos viraram uma república das bananas. Nas últimas décadas, a “terra do livre capitalismo” virou um lugar onde:

O banco central impede qualquer institutição financeira de quebrar, seja emprestando dinheiro para os grandes bancos a taxas zero (ou negativas, quando ajustadas para a inflação), seja trocando por papel bom o lixo de instituições que jogaram com o dinheiro dos depositantes, erraram, se deram mal, mas agora não estão muito a fim de arcar com as consequências. Esse dinheiro, fornecido involuntariamente pelo contribuinte americano, é imediatamente emprestado de volta pelos bancos ao governo via a compra de títulos. Uma arbitragem fantástica, mas disponível apenas para um seleto clube em Manhattan – do qual você, infelizmente, não faz parte.

Igualmente, o arrojo empreendedor de empresas como Apple, Microsoft e Google depende da disposição secular do contribuinte americano em continuar a financiar o desenvolvimento de badulaques de alta tecnologia, usando o pretexto e o rótulo eufemístico de “Defesa”. Agências militares como o DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) e seus antecessores desenvolveram a locomotiva, o rádio, toda a base tecnológica da indústria automobilística (para ser usada em tanques e afins) e naval (para ser usada em navios e semelhantes), o sonar, o radar, o avião a jato, quase toda a tecnologia espacial (que permite ao Google oferecer coisas como o Google Maps, Google Street View e Google Earth), a fibra óptica e o chip de computador, para mencionar apenas alguns. Agora estão ativamente desenvolvendo projetos em biotecnologia, nanotecnologia e robótica – para fins de “defesa”, claro. Mas, no momento em que já não há mais risco envolvido no P&D, as associações de ex-alunos do MIT, University of California e outras institutições semelhantes (que fazem o trabalho pesado e arriscado por trás do grosso dessas tecnologias, usando dinheiro do governo americano) aproximam-se a fazem a transferência da tecnologia para o setor privado. Que, depois, é livre para competir com seus pares pelo mundo, tendo recebido essa mãozinha do governo americano.

É fácil continuar (e pretendo fazê-lo em outros posts), mas acho que os parágrafos acima dão uma boa idéia do que vem acontecendo. Os Estados Unidos “bom” (aquele que pelo menos buscava manter uma aparência de justiça, de recompensar cada um pelos seus méritos, de ser um bastião da liberdade de expressão, de ser a terra para onde o povo oprimido da Europa pôde fugir no século XIX) – esse país, do hamburger com milk shake, do jeans, camiseta e tênis, do Elvis, dos Beach Boys, de Janis Joplin e Woodstock, da Hollywood de Doris Day, Cary Grant, Jimmy Stewart, Grace Kelley, Fred Astaire, Frank Sinatra e Cole Porter – esse lugar morreu já há algumas décadas.

Pode bem ser que o fechamento da janela do ouro pelo Nixon em 1971 – que permitiu que os EUA disparassem a imprimir dinheiro, distorcendo mercados e favorecendo sua manipulação; que acelerou a transferência de dinheiro da classe média para amigos dos políticos em Wall Street – que, em troca, bancam suas campanhas; que fez desaparecer o nexo essencial entre a ídéia de ganhar dinheiro e a necessidade de trabalhar, e não especular em Wall Street ou jogar em cassinos em Las Vegas (há diferença?); pode ter sido esse fatídico dia em 1971, há quase 40 anos, que marcou o início do fim.

Claro que a queda da máscara só pode ser uma coisa positiva, já que nos permite ver a verdadeira dimensão do problema e tomar as medidas necessárias para enfrentá-lo. Mas é bom que se saiba que estamos lidando com um país completamente diferente daquele que a maior parte da mídia de massa pelo mundo ainda acredita existir.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

60 Minutes: Bernanke Ameaça Mundo com Mais Flexibilização Monetária no Próximo Domingo

Submetido por Tyler Durden
Zero Hedge


Postado por Marco Aurélio


Para quem quer saber a origem da informação vazada que jogou para cima o Dow Jones na última hora do pregão em NY nesta sexta-feira, 3 de dezembro, eis a resposta: alguém ficou sabendo de antemão sobre o conteúdo do 60 Minutes que vai ao ar neste próximo domingo, 5/12. No programa, Ben Shalom Bernanke promete infligir ao mundo mais flexibilização monetária (quantitative easing).

Da Reuters: 
Na sexta-feira 3/12, o euro atingiu o pico diário contra o dólar no final da tarde em Nova York após a publicação de uma nota no site da rede de TV CBS, informando que o presidente do Fed, Ben Bernanke, não descarta a compra de mais de USD 600 bilhões em títulos, numa continuação do seu programa de flexibilização quantitativa.
O comunicado da CBS sobre o teor da entrevista com Bernanke também explica por que o euro está de volta a USD 1,34. Alinha-se igualmente com as expectativas de Zero Hedge de que o par EURUSD só vai permanecer fraco enquanto o mercado acreditar que há muito mais QE a caminho. Mas quanto? No gráfico abaixo, veja a nossa previsão, que reafirmamos hoje, sobre a configuração do balanço do Fed num futuro próximo

E, sim, o salto de USD 7 no preço do ouro no final do dia pode ser multiplicado por dez ou vinte na segunda-feira, depois que o mundo perceber que a economia dos EUA está mais perdida do que nunca.


Claro que, se essa nova rodada de QE vier a ocorrer, podemos esperar que todos os outros bancos centrais percam a cabeça simultaneamente e embarquem em medidas semelhantes.


S&P 500 vs. Compras de Títulos do Tesouro Americano - Uma Correlação que Até Cego Vê

Submetido por Tyler Durden
Zero Hedge
2 de dezembro de 2010

Postado por Marco Aurélio


Em 2008, quando o Fed anunciou que compras de títulos garantidos por hipotecas (mortgage-backed securities, ou MBS, na sigla em inglês) e de agências governamentais como Fannie Mae e Freddie Mac fariam parte do QE1 (o primeiro pacote de flexibilização monetária, ou quantitative easing), pouca gente se surpreendeu. 

Afinal de contas, era a maneira mais fácil de reduzir as taxas de juros das hipotecas. Essa margem de manobra era considerada um ponto crucial, pelo simples motivo de que se acreditava que o Fed ainda mantinha algum controle sobre o mercado imobiliário – uma hipótese já desmentida, uma vez que o mercado imobiliário está de novo em recessão (começou o double dip).

No entanto, as compras pelo Fed de títulos do tesouro americano pareciam um tanto arbitrárias à época: afinal, por que comprar os ativos com a taxa mais líquida e, mais importante ainda, qual classe de ativos derivativos o Fed deveria focar em suas compras de títulos do governo (UST)?

Pouco antes do anúncio dos pacotes seguintes (QE Lite e QE2), houve rumores persistentes de que o Fed iria atrás de MBS novamente para ajudar o mercado imobiliário (lembrem-se de todas aquelas compras pela Pimco – a maior gestora de títulos de renda fixa do mundo, com USD 1,3 trilhão em carteira – de MBS, usando margem. Claro que só mais tarde se descobriu que Bill Gross, chefão da Pimco, espera forçar sua recompra – put back – pelo Bank of America). 

Para surpresa de muitos, os títulos do tesouro americano (USTs) acabaram revelando-se o ativo preferido do Fed, mais uma vez.

Debate-se agora uma questão interessante: se o Fed tem como alvo o mercado imobiliário, então deveria estar comprando MBS novamente. Mas não. Agora que dois anos de QE (nas versões 1, Lite e 2) já se passaram, podemos finalmente executar algumas análises de correlação para descobrir exatamente qual é a classe de ativos que o Fed vem mirando esse tempo todo. 

O gráfico abaixo apresenta o resultado, muito fácil de entender.


Total de títulos do governo nas mãos do Fed vs. o desempenho do SPY, 
o ETF que segue o S&P 500

Uma idéia: o Fed tem mais USD 800 bilhões do QE2 para gastar em compras de títulos do Tesouro...

... E é claro que o quadro acima exclui o preço do ouro em dólares, o que confirma que, em termos reais, o valor da linha preta declinou no decorrer do mesmo período em que ficou progressivamente mais e mais diluído com mais papel, graças à linha vermelha...

Será que o DJIA e o S&P500, que já estão acima de seus níveis pre-Lehman, voltarão a seu pico de 2007?


Société Générale: Toda Crise Financeira Tem Três Etapas - a Europa Agora Entra na Terceira

Gregory White
Business Insider
1 de dezembro de 2010

Postado por Marco Aurélio
Dylan Grice, do Société Générale, decompôs a dinâmica de todas as crises financeiras recentes e a expressou em uma fórmula simples.

... A primeira etapa é a recusa em admitir que existe um problema; a segunda é a recusa em admitir que existe um grande problema; e a terceira é a recusa em admitir que o problema tem algo a ver com a gente.

Grice apresenta uma grande quantidade de exemplos, incluindo a crise financeira asiática e o colapso do Lehman.

Seu melhor exemplo, entretanto, pode ser o colapso do mercado imobiliário dos EUA, da maneira como foi explicado por Ben Bernanke e Hank Paulson.

Do Societe Generale (grifo nosso):
Perguntado em 2005 sobre o perigo para a economia representado pela bolha imobiliária, Bernanke respondeu: "Acho que não compartilho da sua premissa. (Um colpaso) é uma possibilidade bastante improvável. Nunca tivemos uma queda nos preços dos imóveis em âmbito nacional."

Essa declaração foi uma recusa em admitir que havia um problema. Mas, à medida que os problemas do subprime se apresentaram, Ben Bernanke assegurou ao mundo que eles seriam "contidos". E quando o Bear Stearns entrou em colapso, Hank Paulson assegurou que "A pior parte, provavelmente, já foi deixada para trás." Aqui tivemos outro momento de recusa em admitir um grande problema.

Depois de certo ponto, não se poderia mais, de maneira plausível, negar o problema. Logo, o ponto focal dos delírios mudou: o governo reconhecia haver um problema, mas os responsáveis eram os outros. Assim, instituiu-se uma proibição de vendas a descoberto a nu (naked short selling). Isso aconteceu em setembro/outubro de 2008, como se a crise fosse, de alguma forma, culpa dos short-sellers. (Certamente não era culpa do Fed, segundo o próprio Fed. Em 2010, Ben Bernanke disse "... Os economistas descobriram que apenas uma pequena parcela do aumento nos preços dos imóveis ... pode ser atribuída à política monetária dos EUA").
Aqui está um guia visual prático para entender a crise:

Fonte: Société Générale

Quanto à crise europeia, Grice diz que ainda estamos na fase de negação.
Na semana passada, o chefe do banco central finlandês e governador do BCE, Erkki Liikanen, disse que "O euro vai sobreviver. Sem dúvida." Klaus Regling, que comanda o Fundeu Europeu de Estabilização Financeira, disse: "Nenhum país vai desistir do euro por sua vontade própria: para os países mais fracos, seria suicídio econômico. Idem para os países mais fortes. E, politicamente, a Europa só teria a metade do valor atual sem o euro."
Mas a verdadeira questão diz respeito a quando a zona do euro vai chegar à fase de apontar culpados, porque já está óbvio quem é que os estados periféricos vão culpar.

Do Société Générale:
Quantos anos de austeridade se passarão, antes que os eleitores da Grécia/Irlanda/Espanha/etc. culpem a Alemanha, a França ou o euro por tudo o que há de errado com suas economias? Será que esse momento sinalizará o início do jogo acusatório, o qual dará início ao capítulo final da crise do euro?
Como a zona do euro vai sair desta? A médio prazo, de acordo com Grice, o BCE terá que imprimir dinheiro, comprando a dívida de países periféricos, num programa de flexibilização quantitativa novo – isto é, se o BCE não quiser que dedos acusatórios comecem a apontar para todos os lados.

Bill Bonner: Seres de Outro Planeta Anunciam Pacote de Socorro para o FMI

Bill Bonner,
The Daily Reckoning


Postado por Marco Aurélio

2 de dezembro de 2010

(Mumbai, Índia) O Fed está salvando o mundo inteiro! Mas quem vai salvar o Fed?

Depois que a notícia da salvação global pelo Fed foi publicada ontem, o Dow Jones subiu 249 pontos. O ouro subiu USD 2.

Eis a última da Bloomberg:
As ações decolaram, dando aos principais índices dos EUA seus maiores ganhos em três meses, enquanto o euro e as commodities saltaram e os títulos do Tesouro americano caíram, em meio à melhoria dos dados sobre as economias dos EUA e da China e a perspectiva de um esforço maior para acabar com crise na Europa endividada.

O índice Standard & Poor’s 500 subiu 2,2%, o maior ganho desde 1º. de setembro. O índice MSCI Emerging Markets subiu 2,2%, o maior ganho desde 2 de agosto. O euro recuperou-se, passando dos USD 1,31, enquanto os títulos espanhóis de 10 anos interromperam uma queda de 11 dias. O rendimento de notas de 10 anos do Tesouro americano aumentou 17 pontos-base, para 2,97%, o ponto mais alto de em quatro meses. Petróleo e cobre avançaram mais de 3%. Após o encerramento dos pregões nos EUA, o índice futuro S&P 500 subiu 0,1% às 19:00 em Nova York e as bolsas no Japão também subiram no início do dia.

O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, disse ontem que os investidores estão subestimando a determinação das autoridades em deter a crise na região e em fortalecer o euro, antes de uma reunião de amanhã do conselho diretor do BCE.

O Dow Jones Industrial Average subiu 249,76 pontos, ou 2,3%, para 11,255.78. O Dow subiu em dezembro mais do que em qualquer outro mês durante o último século, de acordo com Bespoke Investment Group. O índice de 30 ações subiu 1,3%, em média, nesse mês durante os últimos 100 anos e ganhou 1,5% e 1,7% nos últimos 50 e 20 anos, respectivamente, mostram os dados da Bespoke.

As ações e o euro estenderam seus ganhos depois que a Reuters informou que uma autoridade governamental não-identificada disse que os EUA podem apoiar o ampliamento de um programa de resgate financeiro à Europa, com mais dinheiro do Fundo Monetário Internacional. Os EUA não estão discutindo a possibilidade de mais dinheiro FMI para a Europa, disse um representante de Washington à Bloomberg News.
***

"Puxa ... você viu isso?", perguntou um analista indiano com quem nos reunimos esta manhã. "Agora é sério. Estão ligando as máquinas de imprimir para valer. Estão tentando salvar o mundo inteiro. Eu nunca teria acreditado. Mas faz sentido."

O funcionário dos EUA pode não admiti-lo abertamente, mas os números do Fed mostram que o banco central dos EUA já está resgatando estrangeiros. Os relatórios mostram que 35 bancos estrangeiros aproveitaram as políticas monetárias de dinheiro fácil do Fed. Parece que o Fed está sustentando o setor bancário europeu.

E tampouco seria surpreendente se os EUA também estivessem sustentando o FMI. Não são só os bancos que estão com problemas na Europa. Os governos também estão profundamente endividados. Governos e bancos estão tão entrelaçados que é difícil saber onde a dívida privada termina e a pública começa.

Os americanos vêem a subida do dólar contra o euro e podem sentir um pouco de orgulho patriótico. Mas isso não é bom para os americanos. Se a Europa cair aos pedaços, a crise vai imediatamente bater nos bancos e na economia dos EUA. Ben Bernanke bem que tenta fazer o dólar cair. Um dólar valorizado torna os produtos da Alemanha menos caros e as exportações dos EUA, menos competitivas. Contribui para a ameaça de deflação ... e incentiva um período de contração econômica demorada, ao estilo japonês, estimulando as pessoas a poupar, em vez de gastar.

Além disso, o colapso das economias européias mataria o comércio mundial. Os exportadores teriam que fechar as portas. Os importadores ficariam sem dinheiro. O planeta inteiro ficaria sem sorte. A crise imediatamente varreria o mundo como um gigantesco tsunami ... acabando com os mercados de ações ... e, logo em seguida, afogando quase todas as economias.

Sim, caro leitor ... esse é o lado negativo da globalização ... Um problema regional pode facilmente tornar-se um desastre para o mundo todo.

Então, o que vai acontecer? Ah, queríamos tanto que você não nos fizesse perguntas como essa, caro leitor...

Mas vamos dar um palpite.

A situação na Europa é mais perigosa do que a maioria dos americanos imagina.

Ainda pode entrar em colapso. As autoridades dos EUA, claro, sabem disso. E devem saber também que, se a Europa entrar em colapso, os EUA seguirão pelo mesmo caminho.

Assim, os rumores provavelmente se mostrarão verdadeiros. Os EUA vão garantir o FMI. O FMI vai garantir a Europa. A Europa vai garantir a Irlanda. A Irlanda vai garantir seus bancos. E os bancos vão garantir seus credores.

Enquanto isso, o euro será sustentado pelo dólar, que também dará sustentação à economia americana, os bancos americanos, o governo americano e cerca da metade dos lares na face da Terra ...

Quem tem o tipo de dinheiro necessário para garantir tanta coisa?

Ah ... eis aí o problema ... É esse o elo mais fraco nesta corrente estranha e mágica.

Vejamos: se as dívidas de todo mundo são garantidas por dinheiro fiduciário ... não seria o dinheiro fiduciário castigado por todas essas perdas? Será que as perdas não serão repassadas aos detentores de dólares em todo o mundo?

Sim. Mas ninguém sabe o tamanho das perdas. E ninguém sabe quanto de dinheiro extra para "estímular" a economia será oferecido pelo Fed. E ninguém sabe quando as pessoas vão ficar com medo e fugir do dólar ... do euro ... e de todas as moedas fiduciárias. E ninguém sabe o que resultaria de um pânico do dólar. E ninguém quer descobrir.

Então, qual é a solução? Não vamos perder tempo oferecendo uma solução para as autoridades financeiras mundiais. Não vão nos dar ouvidos.

Mas e quanto a uma solução para você? Você comprou ouro quando sugerimos, caro leitor?

Esperamos que sim.

***

Mais pensamentos ...

O New York Times diz que os astrônomos seriamente subestimaram o número de estrelas no universo. Não conseguiam enxergar as menores. Isso significa que sua última contagem errou por alguns trilhões. Ou talvez por alguns zilhões.

Isso nos sugere que os astrônomos e os analistas da dívida pública federal dos EUA devem estar usando as mesmas metodologias de cálculo. Tanto uns quanto outros erraram por trilhões.

Mas a razão que nos leva a falar disso é para dar esperança aos nossos queridos leitores. Talvez ... circulando ao redor de uma dessas estrelas invisíveis ... a alguns bilhões de anos-luz da terra ... haja um planeta habitável. E, talvez, as pessoas que lá vivem sejam craques com os números ... e com o dinheiro. E talvez também entendam muito de viagens espaciais. E sejam muito generosas.

Talvez apareçam - a qualquer momento - e se ofereçam para socorrer financeiramente toda a Via Láctea ... ou, talvez, todo o universo.


Saudações,

Bill Bonner,
The Daily Reckoning

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Reinhart e Rogoff: A Política Econômica de um Default pelos EUA

John Tamny 
Editor do RealClearMarkets e Forbes Opinions, assessor econômico para a H.C. Wainwright Economics e um assessor econômico de Toreador Research and Trading (www.trtadvisors.com). Ele pode ser contactado pelo jtamny@realclearmarkets.com.

2/12/2010

Postado por Marco Aurélio
Com os gastos federais nos Estados Unidos batendo recordes em termos nominais e como percentagem do PIB, há uma quantidade crescente de analistas sugerindo que o governo dos EUA está falido e que acabará por dar default (declarar moratória). Embora a dívida federal não tenha atingido os níveis pós-Segunda Guerra, passivos futuros não-provisionados, que alguns acreditam beirar USD 100 trilhões, deixam muitos analistas com os cabelos em pé.

Em seu livro de 2009 This Time is Different (“Desta Vez É Diferente”), os economistas Carmen Reinhart e Ken Rogoff observam que os defaults se tornam mais prováveis quando a relação dívida/PIB (não incluido aí o passivo a descoberto) ultrapassa os 100%. O fato de que ainda temos espaço antes de chegar a 100% dá certo alento aos otimistas, junto com o fato de que o custo de capital para o Tesouro dos EUA continua baixo. Mas Reinhart e Rogoff lembram que tanto o México quanto a Argentina optaram pelo default quando a razão entre sua dívida e seu PIB estava na faixa de 50%. Isso é um sinal de que, no mínimo, já estamos na zona de perigo.

Um argumento que sustenta o otimismo sobre nossos déficits orçamentários tem a ver com o fato histórico de que os EUA nunca entraram em default. O problema aqui é uma definição de default entendida em sentido muito restrito. Quando calculado numa base ajustada para o valor da moeda, Washington já deu o calote em seus credores antes e continua a fazê-lo ainda hoje. Isso tem consequências econômicas graves, porque o capital flui para fora das economias onde é mais penalizado do que recompensado.

Se o default for pensado em termos tradicionais, como é o caso quando os investidores simplesmente são obrigados a cancelar parte da dívida, ele se torna menos assustador, menos prejudicial economicamente e bastante comum na arena internacional. Em tais circunstâncias, a moeda pode permanecer forte e os danos ao crédito não são transmitidos para quem financia o crescimento da economia privada. No caso dos Estados Unidos, pode-se, portanto, argumentar que um default às claras seria melhor do que o que estamos fazendo de forma furtiva.

Um breve histórico dos defaults. O falecido presidente do Citibank Walter Wriston ficou famoso por dizer, "Países não quebram". Seu comentário, feito nos anos 80, ainda lhe custa um bocado de piadas, mas, se examinado de forma realista, o que disse faz sentido.

De fato, é raro um país ficar sem nenhum recurso. Isso não é surpresa, dado o poder de tributação de todos os governos. E é verdade que governos com pouco dinheiro em caixa conduzem sofisticadas análises de custo/benefício sobre defaults em potencial e, historicamente, acabam descobrindo como pagar menos do que devem.

Como Reinhart e Rogoff observam, "a maioria dos defaults acabam sendo parciais, não completos". De fato, como descobriram ser a regra na maioria dos casos, "o pagamento parcial é significativo, não meramente símbolico".

Alguns podem acreditar que os países de maior poder militar são os mais capazes de captar os fundos que seriam emprestados a outros. Mas isso também é um erro. Diz a lógica que há um forte incentivo para que os países paguem uma parte substancial do que devem, a fim de manter o acesso aos mercados de capitais.

Não é nenhuma surpresa que as considerações de guerra serviram, historicamente, como um forte incentivo para que os países não dêem o calote em seus credores. Especificamente, Reinhart e Rogoff citam a mudança da Inglaterra para o padrão ouro, na esteira da Revolução Gloriosa, como um fator que facilitou sobremaneira o acesso frequente aos mercados de crédito para financiar as guerras contra a França.

Assim, enquanto os defaults em série tornam difícil reunir recursos para a guerra, e não são, portanto, uma boa estratégia, as guerras muitas vezes sinalizam um outro tipo de default – aquele que se dá por meio da desvalorização. Para Gustav Cassel, a desvalorização era a única forma de os governos pagarem por guerras não-financiadas pelos contribuintes. Também observou que os governos, ao necessitar de uma proporção maior dos recursos disponíveis em tempos de guerra, têm usado a desvalorização como uma ferramenta para torná-los menos acessíveis ao cidadão comum.

Examinando os defaults ao redor do mundo, a Grécia passou mais de metade dos anos desde 1800 em situação de atraso para com seus credores; a Argentina declarou default três vezes só no período desde 1980, e a Venezuela declarou default dez vezes desde 1830. Como Reinhart e Rogoff disseram em seu livro, "defaults repetidos por governos são a norma em todas as regiões do mundo, inclusive na Ásia e Europa."

Default soberano versus default nacional. É aqui que as coisas ficam um pouco mais interessantes. Embora dívida seja dívida, existe certamente uma distinção entre os montantes devidos por um país aos seus cidadãos e os que são devidos a credores estrangeiros. Em termos simples, os governos têm muita mais facilidade em dar um default interno do que a nível internacional, onde os mercados de capital globais impõem uma restrição efetiva.

Provas que sustentam a afirmação acima são fornecidas por Reinhart e Rogoff. Enquanto deixam clara sua definição de inflação, descobriram, em suas pesquisas, que as taxas de inflação quando da ocorrência de defaults externos eram de, em média, 33%, enquanto que, durante batalhas internas com a dívida, o número pula para 170%. De forma mais notável, mas não muito surpreendente, descobriram que os defaults externos apresentam uma alta correlação com as crises bancárias.

Isso também explica por que os defaults na dívida externa chamam mais a atenção. Crises bancárias são o resultado freqüente de default, quando os países deixam de honrar compromissos devidos a credores estrangeiros. Isso aumenta o risco de "contágio" relacionado a bancos que detêm a dívida.

Especificamente, Reinhart e Rogoff apontam para a crise do "Tesebono" mexicano de 1994 como uma que teria passado largamente despercebida, se não fosse a exposição global à dívida mexicana. Voltando à Argentina, apesar de seu governo ter declarado default em 1982, 1989 e 2001, o default de 1989 não mereceu atenção internacional porque eram os cidadãos do país – e não os bancos estrangeiros - que sofreram o calote.

Rogoff e Reinhart constataram que o período de existência do FMI coincidiu com "episódios mais freqüentes de moratória soberana". Isso parece lógico, devido ao papel do FMI na redução da dor associada aos desperdício governamental. Segundo seus cálculos, os investidores são compensados por esse risco com prêmios de risco "às vezes superiores a 5% ou 10% por ano."

De possível interesse para aqueles que seguem o mercado de ouro, Reinhart e Rogoff consideram que houve uma calmaria relativa no setor bancário entre 1940 e 1970. Isso não é surpreendente, quando se considera que o valor do dinheiro permaneceu, de forma geral, estável durante os anos de Bretton Woods. Os autores observam que as crises bancárias têm aumentado desde 1970; mas, estranhamente, apontam para uma "redução e remoção das barreiras ao investimento dentro e fora do país" como o provável culpado.

Talvez falte dar maior destaque à opinião de Cassel de que o público mantém uma crença tenaz na idéia de que "uma coroa é uma coroa", e, por extensão, "um dólar é um dólar", apesar do fato de que mudanças na relação de valores monetários em relação ao ouro são muito significativas. O dinheiro global, desde 1971, não possui nada que lhe sirva como forma de lastro intrínseco.

Tendo isso em mente, não nos deve chocar, em absoluto, o crescimento no número de crises bancárias. A desvalorização do dinheiro é tanto um default quanto qualquer outro, e isso tem alterado significativamente o valor dos títulos de dívida nos balanços dos bancos em todo o mundo, com conseqüências certamente negativas.

Examinando o declínio no valor do dólar contra apenas o ouro desde 2001, esse declínio não apenas promoveu uma fuga para os ativos tangíveis menos vulneráveis a um enfraquecimento da moeda, como é o caso da habitação, mas, sem dúvida, desvalorizou os instrumentos de dívida detidos por bancos, os quais permitiram, em primeira instância, esse boom imobiliário. As taxas de juros sobre os empréstimos para imóveis eram (e ainda continuam) baixas, mas o declínio do dólar e a crise resultante entre as instituições financeiras não pode ser ignorada.

Os EUA nunca deram default? Reinhart e Rogoff observam que os EUA, Canadá, Nova Zelândia e Austrália nunca deram um default no sentido tradicional, mas admitem que, pelo menos no caso dos EUA, houve uma opção pela desvalorização da moeda. Mencionam especificamente a revogação da cláusula-ouro em 1933, que significou que a dívida paga aos credores americanos (de 1928 a 1946 os EUA não tiveram dívida externa) foi reembolsada em papel-moeda, no lugar de ouro.

Mas se 1933 pode ser considerado um caso de default, então é fácil argumentar que os EUA têm dado o calote em investidores desde então, principalmente a partir de 1971. Durante esse tempo o valor do dólar, medido em ouro, desabou, dos USD 35 fixados por Bretton Woods até a marca de USD 1.400 dólares, batida recentemente.

Assim, enquanto o Tesouro dos EUA nunca reduziu o valor em dólares do que deve a credores estrangeiros ou nacionais desde 1933, ainda que parcialmente, o valor em dólares do que deve foi certamente aviltado. Em termos simples, os EUA têm dado defaults em série desde que o presidente Nixon cortou o vínculo do dólar com o ouro em 1971. Os franceses chamam isso de "o privilégio exorbitante" americano – isto é, o poder de emitir o que ainda é a moeda do mundo. Se o ouro nos diz a verdade, temos utilizado esse privilégio para dar o calote em nossos credores.

A moeda definida pelo ouro não apenas eliminou a inflação, como também manteve os governos honestos. E enquanto o dólar continua sendo o dólar, a moeda americana, medida em ouro, mudou profundamente no decorrer desta  década apenas. Usando ouro como referência, o default que, dizem alguns, é iminente já está há muito tempo em curso, tendo ocorrido especialmente na década de 70 e na década que acabou de passar.

O que há de tão assustador sobre um default dos EUA? A resposta é fácil se expandirmos a definição de default para incluir a desvalorização da moeda. Nesse sentido, o default é problemático porque toda a atividade empresarial e todos os empregos são o resultado direto da poupança destinada a financiá-los.

Se o Tesouro continua a reduzir o valor real de sua dívida permitindo sua queda, então todos sofremos com uma quantidade limitada de capital sendo canalizada para investimentos improdutivos, como os ativos tangíveis, desejados justamente por serem menos vulneráveis a uma desvalorização monetária. Nossa capacidade de encontrar trabalho com empresas inovadoras fica comprometida se o dinheiro for aviltado de tal forma que os investidores entrem em greve. Como poupadores, também sofremos com a desvalorização da moeda, por causa da degradação que reduz o valor do dinheiro que poupamos, isto é, que escolhemos consumir em data futura. A inflação é um imposto, e quando a política do Tesouro erra em favor da desvalorização da moeda, seus defaults são pagos por nós, os poupadores.

Mas assumindo um default mais tradicional, cabe perguntar se essa não seria uma excelente opção. Milton Friedman é famoso por argumentar que os próprios gastos do governo são o maior imposto, à medida que os governos sugam o capital limitado disponível para financiar sua gastança. Assim, se o Tesouro dos EUA derem o default, seria o governo federal, e não o americano médio, que sofreria as conseqüências.

Para entender por que, podemos considerar a Oracle, empresa tecnológica de Cupertino, na Califórnia. Embora o Oracle tenha sua sede num estado com níveis sufocantes de dívida, seria ingênuo pensar que, caso a Califórnia se torne inadimplente, o custo de capital da Oracle aumentaria. De maneira mais realista, a redução pelo governo da atratividade da Califórnia como um lugar para se investir dinheiro aumentaria a atratividade de crédito de uma empresa blue-chip como o Oracle, em conjunto com a de qualquer outra empresa conhecida por tratar bem o capital que lhe é confiado.

Atualmente, a economia dos EUA certamente sofre com a ânsia dos governos federal e estadual em contrair todo tipo de dívida para atividades que não estimulam o crescimento econômico real. Portanto, se um default federal tornar mais difícil para o Tesouro a tarefa de levantar dinheiro nos mercados de capitais, esse dinheiro, ainda assim, teria que fluir para algum lugar. É fácil argumentar que encontraria usos mais produtivos fora de Washington.

Para provar isso, precisamos olhar apenas para a economia mundial no pós-Segunda Guerra. Segundo Reinhart e Rogoff, os anos após a guerra foram os mais notáveis em termos de default na história do mundo moderno, com países que representam 40% do PIB mundial quer em default, quer em reescalonamento.

No entanto, as economias dos países outrora devastados pela guerra, como Japão, Alemanha e França, cresceram com grande entusiasmo nos anos do pós-guerra. Presumindo um outro período de ceticismo do mercado de capitais no que se refere à dívida pública, o mesmo pode ocorrer novamente.

Conclusão. Desde que existem mercados de capitais profundos, capazes de financiar as necessidades dos governos, tem havido defaults da dívida levantada pelos governos. Durante esse tempo, os investidores têm sido compensados em diferentes graus quanto aos riscos que assumiram.

Infelizmente, a inflação na era pós-Bretton Woods deu aos governos outra forma de reduzir suas dívidas, e poupadores de todo o mundo têm sofrido, para não falar dos empresários e daqueles ansiosos para trabalhar para eles. Deve-se ressaltar que a desvalorização é simplesmente uma forma mais sutil de default, uma que os EUA tem usado com grande vigor nas últimas quatro décadas.

Em contrapartida, o default de governos, no sentido tradicional, não é algo que devemos temer. Os governos podem gastar apenas o que tributaram ou tomaram emprestado do setor privado em primeiro lugar. Por isso, enquanto um default certamente queimaria investidores dependentes de renda fixa paga à custa dos contribuintes, serviria como um impulso para a economia privada, graças ao regime forçado pelos investidores sobre o governo, em favor de iniciativas que fomentem o crescimento no setor privado.

Até agora, os políticos dos EUA não mostraram nenhuma disciplina nos gastos, qualquer que seja o partido no poder. Nesse caso, se a disciplina do mercado se mostrar a única cura para a doença da gastança, então devemos abraçar, sem reservas, a causa de um default padrão pelos EUA.

Nigel Farage no Parlamento Europeu – “O Jogo do Euro Acabou”

Postado por Marco Aurélio

O discurso de 24 de novembro de Nigel Farage, presidente do Partido Independente da Inglaterra (UK Independence Party - UKIP), ao Parlamento Europeu tornou-se uma sensação viral na Internet. Hoje, King World News entrevista Farage para falar sobre seu incrível discurso e conhecer melhor suas idéias sobre o movimento por mais liberdade, um movimento que está ganhando força na Europa.

Ao ser perguntado sobre as expressões preocupadas nos rostos de seus adversários presentes no momento do discurso, Farage respondeu:
Até agora, seus rostos só mostravam sorrisos de satisfação desmedida, arrogância e a crença de que são eles os senhores da situação. O que vimos na semana passada no Parlamento Europeu em Estrasburgo ... foi medo de verdade, porque seu grande projeto de união – o euro – está começando a desmoronar. Estão com medo, porque até conseguem ignorar o povo. Mas o que não dá para fazer é ignorar os mercados internacionais. Então estamos lidando agora com gente muito, muito assustada. "
Nigel Farage continua:
Quando as pessoas percebem que os políticos que elas elegem nas eleições nada mais são do que uma farsa, começam a perceber que, se querem mudar as coisas, a única alternativa é a desobediência civil e a violência. Já estamos começando a ver isso. Na Grécia, estamos vendo pequenos ataques terroristas contra prédios da UE, contra representantes da UE ... É isso o que acontece quando você rouba as pessoas dos seus direitos. Elas começam a apelar para a violência e se voltam para o extremismo. É por isso que acredito que essas pessoas são tão perigosas.
Na Europa, estamos testemunhando uma tentativa de colocar em prática uma forma unitária de governo para 500 milhões de pessoas. Nesse novo sistema, as pessoas que detêm as posições-chave, como Van Rumpoy e outros, não foram eleitas e não prestam contas ao povo. É o fim da democracia e, na minha opinião, estamos abandonando todos os ideiais pelos quais as pessoas que vieram antes de nós lutaram em duas devastadoras guerras mundiais. Lutaram e morreram para que nós, os povos da Europa, pudéssemos ser livres da tirania e viver numa democracia. Para falar a verdade, é difícil acreditar que essa loucura completa tomou conta da União Européia. É uma negação total da democracia. Estamos vendo o começo de um Euro-estado que é ditatorial no estilo e na estrutura. É um perigo e uma loucura.

As fotos acima mostram a preocupação nos rostos de parlamentares europeus durante o discurso de Farage, quando disse:

"Bom dia, Sr. Van Rompuy. O senhor já está no cargo há um ano e, nesse tempo, todo o edifício europeu começou a desmoronar. É o caos. O dinheiro está acabando. Devo agradecer-lhe. Você talvez deva ser o garoto-propaganda do movimento de euro-céticos. Olhe a seu redor. Veja essas caras, veja as expressões de medo, veja a raiva. O pobre Barroso aqui (atual presidente da Comissão Européia) parece que viu um fantasma. Os senhores estão começando a entender que o jogo acabou. Mesmo asssim, em seu desespero de preservar seu sonho europeu, querem remover quaisquer vestígios de democracia no sistema. Está na cara que nenhum de vocês aprendeu nada! "

Para ouvir a recente entrevista com o membro do parlamento europeu Nigel Farage na King World News, clique aqui.

Eric King
KingWorldNews.com

Para voltar ao blog de King World News clique aqui.

Para ver o discurso original de Nigel Farage no Parlamento Europeu em 24 de novembro de 2010, veja o vídeo abaixo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Jeff Rubin: Default da Irlanda e Grécia Vai Mudar o Mapa da Europa

Jeff Rubin
Ex-economista-chefe da CIBC World Markets, um dos maiores bancos do Canadá.


Postado por Marco Aurélio

1 dezembro de 2010

Os contribuintes alemães e britânicos estão começando a perceber o lado negativo da interdependência econômica na economia global. Quando os bancos britânicos têm uma exposição excessiva aos bancos irlandeses, de repente a quebra do mercado imobiliário de Dublin vira um problema do Reino Unido. Da mesma forma, quando os contribuintes alemães são obrigados a socorrer governos falidos em Atenas e Dublin, os problemas da Irlanda e da Grécia tornam-se os problemas da Alemanha. Vale a pena perguntar quanto tempo esse modelo de interdependência econômica pode durar.

Provavelmente não muito. Principalmente se Portugal e Espanha também comparecerem ao ponto socorro financeiro da Europa.

O que é cada vez mais evidente, como observei no meu blog de 26 de maio, é que a união monetária europeia não é mais viável. Uma união monetária entre economias semelhantes, como as da Alemanha, França e Benelux, faz sentido. Mas juntar economias fiscalmente mau-comportadas, com rendas per capita muito menores (como é o caso de Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia) e atrelá-las ao Norte europeu faz tão pouco sentido quanto uma união monetária entre o México e os seus parceiros de livre comércio, Estados Unidos e Canadá.

Pode ser que foi preciso um choque financeiro induzido pelo petróleo para desfazer essa união, mas o euro era um acidente esperando uma oportunidade para acontecer. Por não permitir a quebra de seus bancos, pouco supervisionados e regulados, os próprios países estão agora quebrando. Assim, os bancos irlandeses vão ficar de portas abertas, mas escolas e hospitais vão fechar para que o país tente administrar um déficit público equivalente a um-terço do tamanho de sua economia. (Curiosamente, esses são os mesmos bancos que acabam de passar por stress tests financeiros.)

Os contribuintes alemães, que devem arcar com a maior parte do pacote de €85 bilhões em socorro financeiro para a Irlanda, estão, compreensivelmente, cada vez mais furiosos com a perspectiva de ter que dar, de mão beijada, bilhões de euros para que a Irlanda possa manter uma alíquota de IR empresarial de 12,5%, a qual subtrai empregos e produção da economia alemã. E tampouco ficaram felizes quando seu suado dinheirinho estava sendo enviado para a Grécia, um país onde a sonegação é um passatempo nacional, a fim de manter as mamatas locais.

Os contribuintes em países credores estão começando a se fazer a mesma pergunta que tem incomodado os detentores de títulos dos governos da periferia européia. A redução de um déficit equivalente a um-terço do PIB significa que a economia irlandesa, assim como a grega, vai encolher daqui para a frente. E economias em contração tendem a ter problemas com crescentes distúrbios sociais. Não são economias capazes de pagar os juros sobre suas dívidas. É por isso que o mercado de títulos já estava exigindo da Irlanda uma taxa três vezes mais alta do que a taxa para a Alemanha.

Provavelmente, a Irlanda e a Grécia (e Portugal e Espanha também) vão dar o default, desfazendo a união monetária. O que vem a seguir: um ressurgimento do dracma, da libra irlandesa e, talvez, do escudo e da peseta. E à medida que essas moedas desabarem em valor frente ao que sobrar do euro (que deve continuar a ser negociado na Alemanha, França e os países do Benelux), a viabilidade da própria zona de livre comércio européia pode ser colocada em questão.

Em Londres, Evelyn de Rothschild Questiona Viabilidade Política... dos EUA

Por Marco Aurélio

A Bloomberg entrevistou Sir Evelyn de Rothschild em 23/11. Perguntou-lhe sobre a viabilidade do projeto europeu, face aos problemas enfrentados pela periferia da Europa.
Bloomberg: O senhor acredita que o projeto europeu corre risco? Há quem diga que paises como Portugal, Grécia e Espanha talvez tenham que deixar o projeto do euro. O senhor vê essa possibilidade?
Evelyn de Rothschild: Bom, o Reino Unido, assim como a Noruega, não é um membro do euro. A Noruega possui uma grande quantidade de petróleo e oportunidades, vendo a coisa de outro ponto-de-vista. Mas, sabe, as pessoas estão extremamente ansiosas para ver uma queda do euro e da União Européia, e eu acho isso errado. Permita-me dizer algo que pode ser um pouco delicado: você já examinou os problemas dos Estados Unidos? Quantos de seus estados estão quebrados? Califórnia, Michigan? E quanto a uma dissolução dos Estados Unidos?
Como Niall Ferguson demonstra nos dois volumes de "The House of Rothschild" , esta é uma família extraordinariamente unida e influente, fortalecida por laços consaguíneos desde sua incepção como dinastia financeira no início do século XIX. Vem ganhando dinheiro, em grandes quantidades, com momentos de ruptura política, incluindo as guerras napoleônicas, as revoluções pan-européias de 1830 e 1848, e a Primeira Guerra Mundial, durante a qual a Declaração de Balfour, redigida pelo Ministro das Relações Exteriores britânico e endereçada a Walter, segundo Barão de Rothschild, deitou as bases para a criação de Israel trinta anos mais tarde.

Quando um de seus membros mais proeminentes questiona as finanças (e, por extensão, a viabilidade política) dos EUA, prestem atenção. Muita.

Assista à entrevista na Bloomberg aqui, ou clique na imagem abaixo.