Mostrando postagens com marcador QE2. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador QE2. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Espírito de Dilson Funaro Baixa em Ben Bernanke

Por Marco Aurélio

O blog da revista InvestMais analisa a queda nos Treasuries em 8/12. Aponta para a decisão do Obama e do Congresso americano de criar ou prorrogar uma série de medidas de estímulo à economia americana como os responsáveis. Segundo o raciocíncio, mais estímulo é igual a um déficit maior - e isso é ruim para os títulos do Treasury.

Mas a tendência mais abrangente ditando o rumo dos Treasuries (e do dólar) é a decisão - que Bernanke já havia deixado clara - de continuar a tirar dólares da cartola. Essa decisão foi reiterada em entrevista ao programa 60 Minutes, da rede CBS, na noite de domingo, 5/12. Bernanke disse que mais flexibilização quantitativa (conhecida pela sigla em inglês "QE" e, aqui no Brasil, pela expressão mais direta "imprimir dinheiro") é, nas palavras do chefe do Fed, "certamente uma possibilidade". Não que ele houvesse dito antes que mais QE NÃO fosse uma possibilidade. No domingo, só tornou a repetir que o Fed tem uma capacidade ilimitada de criar dinheiro do nada - e não tem medo de usá-la.

Assim o Fed e o Treasury de Geithner vão continuar a salvar bancos (Goldman, Merrill, Bank of America, Citi), hedge funds (como Greenspan, antecessor de Bernanke, fez com o LTCM em 1998), seguradoras (AIG), montadoras (GM, Chrysler, Ford), redes de lanchonetes (McDonald's), fabricantes de equipamento militar (GE), países (Irlanda, Grécia), bancos estrangeiros (UBS, Deutsche Bank) e qualquer entidade com caixa suficiente para manter lobistas no grande bazar que é Washington DC. 

Os brasileiros têm uma vergonha despropositada de seus políticos. Ao contrário dos parlamentares americanos, os brasileiros só fazem mal a seu próprio país. Já os primeiros, além de causar estragos nos próprios Estados Unidos, exportam problemas gravíssimos para o resto do mundo - inclusive, evidentemente, para o Brasil. Esses problemas não são tão fáceis de entender, nem tem nomes tão coloridos, como, digamos, o Valerioduto do Mensalão, a Máfia dos Sanguessugas e outros best-sellers da mídia nacional. Mas o estrago é ordens de grandeza maior.

Assim é com o novo QE de Bernanke, (pre/a)nunciado na noite de domingo. Já é o terceiro pacote. A situação começa a lembrar mais e mais as sucessivas (e fracassadas) tentativas de conter a inflação pelos diversos ministros das Finanças, Fazenda, Economia e Planejamento que se sucederam nos anos 80 e 90, do governo Figueiredo ao Itamar.

A diferença é que, quando um desses pacotes dava errado, tomava-se um avião para Washington para pedir socorro. Mas quando Washington quebra, para onde vira? Como lembra o Roubini, não vai chegar nenhuma delegação de Marte ou da lua para ajudar a resolver a situação de governos soberanos.

E a situação se agrava a cada dia. Os bond vigilantes estão empurrando as taxas de juros para cima - em 7 de outubro, estavam a 2,39%. Na quarta-feira, 8/12, fecharam o dia a 3,27% - um aumento de 36,82% em pouco mais de dois meses.

O Fed, então, pode continuar a imprimir a quantidade de dinheiro que quiser para salvar quem achar que for necessário. Mas vai ter que pagar mais e mais por isso, sob a forma de taxas mais elevadas. O mesmo vale para quem tem dívidas com taxas reajustaveis, como é o caso de detentores de hipotecas. Com taxas mais altas, aumenta o incentivo para atrasar pagamentos, ou simplesmente parar de pagar e devolver o imóvel aos bancos. Isso derruba ainda mais o preço dos imóveis e deixa os bancos comerciais "too big to fail" (Bank of America, Citi, Wells Fargo e JP Morgan Chase) um passo mais perto de ter que revelar seu quadro de insolvência - o que forçaria o Fed a imprimir mais dinheiro para salvá-los, jogando as taxas para cima e derrubando ainda mais os títulos do governo dos EUA.

Dilson Funaro, pai do Plano Cruzado, morreu em 1989. Mas Delfim Netto, Bresser Pereira e Maílson da Nóbrega ainda estão por aqui. Poderiam ser contratados como consultores pelo Fed. Certamente fariam menos estrago do que o Bernanke.

E essa é a razão real por trás da queda precipitosa dos Treasuries e do dólar nas últimas semanas. O resto, como o teatro fiscal do Obama com o Congresso, é ruído.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

T-Bonds a 5%: O Nível que Vai Marcar uma Crise no Bond Market dos EUA

Queda nos Títulos do Governo Americano Ameaça Ilusão de Controle do Fed
Rick Ackerman
8 dezembro de 2010

Ler no original

Postado por Marco Aurélio

Ben Bernanke, que prometeu jogar dinheiro de helicópteros, se necessário, para combater uma deflação japonesa nos EUA, apareceu no programa 60 Minutes, da rede de TV CBS, na noite de domingo, 5/12/10.

Disse tantas coisas estapafúrdias que é difícil saber por onde começar a criticá-lo. O assim-chamado "entrevistador", Scott Pelley, demonstrou claramente não ter a mínima idéia do que estava falando. Vamos ter que esperar até que o deputado Ron Paul enfrente Bernanke no Congresso americano – só então vamos obter uma imagem mais clara das questões que, segundo o presidente do Fed, estão sob controle.

Durante a entrevista de domingo, o chefe do Fed negou estar imprimindo dinheiro. Pelley não o questionou quanto a essa tecnicalidade. Bernanke também disse que é capaz de matar a inflação de uma hora para a outra, se necessário. Esse absurdo, muito longe do alcance intelectual de Pelley, também passou impune. Ou talvez Pelley não se importe com as implicações letais para a economia implícitas nessa "solução", quais sejam, taxas de juro mais elevadas.

A hora da verdade para a flexibilização quantitativa

Temos péssimas notícias para quem acredita na eficácia da flexibilização quantitativa. Esse aviso vale tanto para o presidente do Fed, quanto para todo mundo que tem dívidas.


Uma olhada no gráfico acima ajuda a entender o por quê. O preço dos títulos de trinta anos no mercado futuro vem caindo feio há dois meses, com um aumento correspondente na taxa de juros. A taxa dos títulos de longo prazo estava em 3,73%, quando a queda começou. Agora está em torno de 4,43% - um aumento de quase 20%. Rick's Picks espera que o T-Bond de março continue a cair, possivelmente para um "pivot oculto" de apoio de 120 10/32. Nesse ponto, as taxas terão subido para cerca de 4,60%.

As coisas poderão ficar muito feias, no entanto, se a sustentação falhar, já que essa ocorrência poderia derrubar os futuros, até chegarem a 117 22/32. A esse preço, as taxas de longo prazo estariam em torno de 4,82%. Aplique essa taxa asfixiante à dívida pública, hipotecas ajustáveis e crédito ao consumidor, e o custo extra seria de centenas de bilhões de dólares para os contribuintes, mutuários e consumidores.

As expectativas mudam

Mas vai ser aí que os problemas do Bernanke vão começar, já que sua principal tarefa é, no final das contas, gerenciar expectativas. Com as taxas de longo prazo subindo lentamente rumo a 5%, esse número viraria um ímã: os credores tomariam como certa a possibilidade da marca de 5% ser alcançada. Inicialmente, o dólar se fortaleceria, à medida que as taxas de juros se soltassem de suas amarras administrativas e subissem rumo a níveis de mercado. Essa tendência poderia continuar, concebivelmente, por alguns meses - talvez por um ano - até que se torne claro que os custos mais altos dos empréstimos estão empurrando os títulos do Tesouro dos EUA rumo a um ponto de ruptura.

Ninguém pode prever o que vai acontecer se as percepções se transformarem em pânico. Mas, de maneira mais imediata, os mercados podem adquirir uma dinâmica própria, fadando ao fracasso os esforços do Fed de suprimir as taxas de juros reais usando nada mais que trapaças, mentiras e enganos.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Chineses Importam 5 Vezes Mais Ouro em 2010, Preço Pode Chegar a USD 1600 Até o Final do Ano

Eric King entrevista Ben Davies
KingWorldNews.com


Postado por Marco Aurélio

Com o ouro e a prata atingindo níveis recordes esta semana, King World News entrevistou Ben Davies, que vive em Londres. Quando perguntei sobre o movimento nos mercados de ouro e prata, Davies afirmou:
Estamos na iminência de ver um enorme short squeeze (aperto nas posições vendidas) no mercado de ouro. Foi isso que vimos no mês passado; a mesma coisa parece que vai acontecer de novo. A demanda física vinda da Ásia está descendo como uma avalanche sobre as posições vendidas de ouro, no mercado de papel. Se isso vale para o ouro, o mesmo também é verdade para a prata – só que elevado ao cubo.
Ben Davies continua:
Mesmo usando a emissão de dívida como forma de financiamento nos EUA, o governo não está conseguindo gerar empregos. O mundo inteiro está se afogando em dívida. O crescimento anêmico na oferta de empregos, embora seja um indicador que se manifesta com certo atraso, foi o que mais contribuiu para o aumento da taxa de desemprego nos EUA para 9,8% e para a baixa renda salarial horária. Os EUA não vão conseguir crescer para melhorar a atual relação entre dívida e PIB. A única maneira de crescer o PIB nominal é continuar a desvalorizar o dólar, por meio de uma flexibilização quantitativa e qualitativa em todo o mundo.
Justo quando os investidores acreditavam que os EUA estavam preparados para crescer, o que ajudaria a melhorar os problemas estruturais da zona do euro, vieram os números sobre a criação de empregos nos EUA em novembro, que acabaram com quaisquer expectativas. Não é à toa que os chineses, como já discutimos, já importaram cinco vezes mais ouro em 2010 do que em 2009. Os chineses gostam de comprar ouro quando o preço cai; evitam correr atrás do produto no mercado. Da mesma forma que antes compravam títulos do governo americano, agora estão comprando ouro. Como o porta-voz do PBOC (People’s Bank of China) recentemente sugeriu de forma implícita, vão continuar a se desfazer de seus dólares para investir em ouro – um ativo monetário.
Então, por enquanto, qualquer queda no mercado de ouro e prata físicos vai encontrar obstáculos. Temos um grande interesse aberto nas opções de compra a USD 1.400 no mercado de ouro (papel) da Comex. Talvez a gente veja uma repetição do squeeze nas opções de compra, igual vimos a USD 1.300 no mês passado. Quanto mais valor criarmos acima de USD 1.400, mais provável se torna que o mercado de papel se venda. Podemos começar a ver os níveis de USD 1.600 que discutimos nas edições anteriores aqui no King World News – isso até o final de 2010. Talvez até tenhamos um pouco de exagero e alcancemos USD 1.800. É preciso estar sempre alerta quando os níveis de volatilidade implícita estão tão baixos num mercado otimista (bull market). Existe uma grande incerteza na economia global, bem como uma grande desconfiança em relação ao dinheiro fiduciário subjacente.
Ben Davies, juntamente com James Turk, previu corretamente essa explosão nos preços dos metais preciosos quando a prata ainda estava na faixa de USD 17 a USD 18. O timing foi literalmente perfeito. Davies já emitiu um alerta para os vendidos (shorts) em ouro. 

Meu conselho é, mais uma vez, sentar e apreciar o circo pegando fogo – sempre um caloroso espetáculo.

Eric King
KingWorldNews.com
Para voltar ao blog clique aqui.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

S&P 500 vs. Compras de Títulos do Tesouro Americano - Uma Correlação que Até Cego Vê

Submetido por Tyler Durden
Zero Hedge
2 de dezembro de 2010

Postado por Marco Aurélio


Em 2008, quando o Fed anunciou que compras de títulos garantidos por hipotecas (mortgage-backed securities, ou MBS, na sigla em inglês) e de agências governamentais como Fannie Mae e Freddie Mac fariam parte do QE1 (o primeiro pacote de flexibilização monetária, ou quantitative easing), pouca gente se surpreendeu. 

Afinal de contas, era a maneira mais fácil de reduzir as taxas de juros das hipotecas. Essa margem de manobra era considerada um ponto crucial, pelo simples motivo de que se acreditava que o Fed ainda mantinha algum controle sobre o mercado imobiliário – uma hipótese já desmentida, uma vez que o mercado imobiliário está de novo em recessão (começou o double dip).

No entanto, as compras pelo Fed de títulos do tesouro americano pareciam um tanto arbitrárias à época: afinal, por que comprar os ativos com a taxa mais líquida e, mais importante ainda, qual classe de ativos derivativos o Fed deveria focar em suas compras de títulos do governo (UST)?

Pouco antes do anúncio dos pacotes seguintes (QE Lite e QE2), houve rumores persistentes de que o Fed iria atrás de MBS novamente para ajudar o mercado imobiliário (lembrem-se de todas aquelas compras pela Pimco – a maior gestora de títulos de renda fixa do mundo, com USD 1,3 trilhão em carteira – de MBS, usando margem. Claro que só mais tarde se descobriu que Bill Gross, chefão da Pimco, espera forçar sua recompra – put back – pelo Bank of America). 

Para surpresa de muitos, os títulos do tesouro americano (USTs) acabaram revelando-se o ativo preferido do Fed, mais uma vez.

Debate-se agora uma questão interessante: se o Fed tem como alvo o mercado imobiliário, então deveria estar comprando MBS novamente. Mas não. Agora que dois anos de QE (nas versões 1, Lite e 2) já se passaram, podemos finalmente executar algumas análises de correlação para descobrir exatamente qual é a classe de ativos que o Fed vem mirando esse tempo todo. 

O gráfico abaixo apresenta o resultado, muito fácil de entender.


Total de títulos do governo nas mãos do Fed vs. o desempenho do SPY, 
o ETF que segue o S&P 500

Uma idéia: o Fed tem mais USD 800 bilhões do QE2 para gastar em compras de títulos do Tesouro...

... E é claro que o quadro acima exclui o preço do ouro em dólares, o que confirma que, em termos reais, o valor da linha preta declinou no decorrer do mesmo período em que ficou progressivamente mais e mais diluído com mais papel, graças à linha vermelha...

Será que o DJIA e o S&P500, que já estão acima de seus níveis pre-Lehman, voltarão a seu pico de 2007?


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Resumo Diário do Chris Martenson - 22/11/10


Postado por Marco Aurélio 

* A verdade sobre a flexibilização quantitativa (QE).
* A escassez generalizada de prata em barras.
* Falta de contratação deve conter a economia dos EUA em 2011.
* Preço do petróleo permace inalterado após Irlanda aceitar pacote de "socorro".

Economia

A verdade sobre a flexibilização quantitativa.

Os governos têm "fabricado" dinheiro desde a invenção da moeda. Desde 1950, a quantidade de dinheiro em circulação tem dobrado a cada 15 anos, correspondendo a uma taxa anual de 5,7%. A desculpa tem sido sempre que era preciso ter mais dinheiro para acomodar o crescimento e a inflação. No entanto, o que essa criação de dinheiro fez foi dotar o Estado de uma fonte regular de dinheiro, ano após ano. A primeira organização que usa qualquer dinheiro novo é sempre o Estado. Depois que ele passa a circular, volta para o Tesouro por meio do sistema fiscal. Ter a capacidade de criar mais 5,7% do estoque de dinheiro a cada ano é um benefício e tanto para o Governo.

A escassez generalizada de prata em barras.

A partir de hoje já não se encontram mais lotes de moedas e barras de prata para entrega imediata, nos pesos de 1 a 100 onças. Quantidades pequenas de algum tipo de prata ainda podem ser encontradas, mas a maioria dos atacadistas estão prometendo agora entrega para duas a quatro semanas, para que as moedas e barras possam ser produzidas. Como resultado da escassez, o ágio já começou a subir. Até agora, os aumentos têm sido pequenos, da ordem de 0,5% a 2%. No entanto, se a escassez aumentar, devemos ver ágios maiores nas próximas semanas. Pode ser que vejamos uma repetição do final de 2008, quando a procura por ouro e prata foi frenética, com períodos de espera para entrega de um a quatro meses após o pagamento.


Falta de contratação deve frear economia dos EUA em 2011.

O produto interno bruto aumentará 2,6% no próximo ano, após crescer 2,7% em 2010, de acordo com a mediana das previsões de 51 economistas consultados pela National Association for Business Economics, de 21 outubro a 4 novembro. "O crescimento deve ser moderado", afirmou num comunicado Richard Wobbekind, presidente do grupo e vice-reitor da Leeds School of Business da Universidade de Colorado-Boulder. "Especialistas continuam preocupados com elevados níveis de dívida pública federal, uma continuação do desemprego a um nível elevado, o aumento da regulamentação da economia pelo governo e a subida nos preços das commodities."

Energia

O preço do petróleo permanece inalterado após a Irlanda aceitar pacote de socorro.

Os preços futuros do petróleo permaneceram inalterados nesta segunda-feira, perdendo um pouco da valorização anterior à medida que o dólar se fortalecia após a decisão da Irlanda de aceitar o pacote de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Petróleo para entrega em janeiro baixou USD 0,02, para USD 81,96 dólares, na Nymex. Preços futuros para petróleo do tipo Brent na ICE subiram USD 0,29, ou 0,3%, para USD 84,63 dólares o barril. Durante o fim-de-semana, a Irlanda solicitou um pacote de ajuda da UE e do FMI, pondo fim a dúvidas sobre se o país endividado aceitaria ajuda. A notícia serviu inicialmente para amparar os mercados de forma geral, incluindo o euro. Mas o euro caiu no pregão na parte da manhã, elevando a cotação do dólar. Um dólar mais forte normalmente pesa sobre os preços do petróleo, à medida que a commodity, denominada em dólares, fica mais cara em outras moedas. O euro havia caído de de 1,3673 para USD 1,3642 recentemente, e o ICE Dollar Index, que indexa o dólar contra uma cesta de moedas, estava mais alto.
 
Sugestões para o resumo diário podem ser enviadas para dd@chrismartenson.com. Todas as sugestões são filtradas pela equipe Daily Digest, que dá preferência àquelas que estão em alinhamento com a mensagem do “Crash Course” dos "3 Es": Ambiente (environment), energia e economia.

domingo, 21 de novembro de 2010

Richard Russell - Todas as Moedas Fiduciárias Fracassarão


Postado por Marco Aurélio
 
Richard Russell começou a publicar suas Dow Theory Letters em 1958. Desde então, nunca deixou de publicar uma única edição. Hoje, o Dow Theory Letters é o boletim financeiro mais antigo do mundo.

Com o preço do ouro perto do seu pico histórico, o grande Richard Russell, santo-padroeiro dos escritores de boletins financeiros, declarou em sua mais recente análise que: 
"É óbvio que o Bernanke, com a ajuda do QE2 (flexibilização monetária 2, ou quantitative easing 2), quer jogar as taxas de juros de longo prazo para baixo e, ao mesmo tempo, empurrar os preços dos ativos (em especial das ações e imóveis) para cima. Devido ao tamanho gigantesco da nova onda de criação de dinheiro pelo Bernanke, alguns analistas estão chamando o QE2 de 'um jogo totalmente novo'."
Russell continua:
Nos próximos oito meses, o Fed vai comprar USD 600 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA. Mas não é só isso. O Fed também vai comprar até USD 300 bilhões de dívida de agências (como Fannie Mae e Freddie Mac) que vão vencer. Isso significa que cerca de USD 900 bilhões de dinheiro novo será inserido no sistema. É tudo dinheiro novo, criado por computadores do nada.

Então, a pergunta é: será que o Bernanke (em face das críticas internacionais) vai recuar em sua estratégia de derrotar as forças da deflação por meio da impressão de dinheiro?

Minha resposta imediata a esta pergunta é que Bernanke NÃO vai recuar. Bernanke é um keynesiano verdadeiro, sincero, e já pediu desculpas (falando pelo Fed) por ter deixado a oferta de dinheiro diminuir durante a Grande Depressão da década de 1930.

Recuar agora significaria, na verdade, uma admissão por parte do Bernanke de que toda a sua estratégia de flexibilização quantitativa (QE) foi equivocada. Recuar agora significaria, para o Bernanke, capitular às forças da deflação. Não consigo conceber tal coisa. Acho que o Bernanke deixaria a presidência do Fed antes de se submeter à disciplina dos princípios econômicos austríacos.

A segunda questão que me preocupa é se as moedas fiduciárias, e me refiro a todas, vão sobreviver. Como meus assinantes sabem, acredito que as moedas criadas por decreto do governo são uma fraude, e que são tanto ilógicas quanto imorais. Creio que, em última instância, o papel-moeda, em todas as suas formas, está fadado ao insucesso. Todo sistema de moeda fiduciária da história fracassou, e não será diferente com as moedas de hoje."

Para assinar a Dow Theory Letters de Richard Russell, CLIQUE AQUI.

Richard Russell está certo – no final, todo dinheiro fiduciário fracassa.

Eric King


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Teoria e Prática da Re-Inflação

Entrevista com Eric Janszen, autor de A Economia Pós-Catástrofe: Reconstruindo a América e Evitando a Próxima Bolha.

Postado por Marco Aurelio

“Na teoria, o balanço do Federal Reserve pode ser expandido infinitamente."
-- Alan Greenspan, 2005

"Se os fatos não batem com a teoria, mude os fatos."
-- Albert Einstein

CI: Vamos começar com o item de maior urgência: que diabos está acontecendo com o ouro? Será que estamos vendo a "Grande Volatilidade" sobre a qual você vem avisando desde 2001, aquela que indicaria o fim do mercado em alta (bull market) para o ouro?
EJ: Não é um "bull market". A idéia de bull market e bear market é idiota, é um produto-conceito de vendas criado por Wall Street. Esqueça isso. Os mercados são um campo de batalha. A briga é por dinheiro. As armas são a informação e o controle da informação. O que determina o vencedor é o poder de compra, quem está aumentando o tanto que tem e quem está perdendo, por meio dos impostos, da desregulamentação, dos subsídios, da inflação ou da alavancagem. O resto é não interessa. Tendo dito isso, não, eu não acho que a volatilidade dos preços do ouro e da prata da semana passada indica que a subida do preço do ouro da última década acabou. É a mesma história, embora a hora do espetáculo esteja mais perto.

CI: Hora do espetáculo?
EJ: Compramos ouro em 2001 porque achávamos que os bancos centrais mundiais estavam protestando demais sobre a inutilidade do ouro como um ativo monetário; disseram que o ouro não tinha valor e, mesmo assim, ainda detinham mais de 20% de todo o ouro já produzido na história. Imaginamos que estavam armando um hedge contra a falha potencial de uma grande experiência, de uma moeda de reserva com base no dinheiro da dívida de um único estado soberano, os EUA. A Guerra do Iraque em 2003 e o colapso dos mercados de crédito global em 2008, devido a uma avaliação errônea e, portanto, uma precificação errônea de títulos garantidos por ativos (asset-backed securities), forneciam provas suficientes para os membros do Sistema, como Greenspan costumava chamá-los, de que o país emissor dessa moeda de reserva não é apenas sistemicamente corrupto, como o é qualquer plutocracia, mas venalmente corrupto, nas palavras de Simon Johnson – um país dirigido por uma oligarquia financeira. Não se pode confiar nos EUA. É preciso encontrar um arranjo monetário alternativo. Esse foi o motivo do empurra-empurra nas vésperas do G20 na semana passada. Fazendo uma leitura do balão de ensaio do Banco Mundial sobre o uso do ouro em um novo arranjo monetário, da observação não-autorizada do Volcker sobre os perigos do QE2 e da afirmação de Greenspan de que os EUA estão intencionalmente desvalorizando o dólar como uma ferramenta de reflação, fica claro até mesmo para um observador qualquer que o papo mudou de vez. As tensões são grandes e tudo pode acontecer.

CI: Como foram os movimentos da semana passada do preço do ouro, resultantes do G20?
EJ: Pura especulação, mas parece que houve uma escalada de USD 50 a caminho da reunião, à medida que o mercado precificava a discórdia entre os membros do G20. Então vimos dois ataques sincronizados contra o preço do ouro e da prata durante a semana passada, um antes da reunião de 9 de novembro e outro durante a reunião de 12 de novembro. Conseguiram raspar 4% do preço de USD 1.421 – o pico no preço do ouro.


Já vi essas mudanças coordenadas nos preços do ouro e da prata muitas vezes ao longo dos anos, como ocorreu em 22 de junho de 2008, quando o ouro caiu de USD 904 a USD 875 e a prata, de USD 17,30 para USD 16,50.


CI: O que essas quedas coordenadas nos preços do ouro e da prata podem significar?
EJ: Pode ter certeza que a compra e venda programáticas de fundos são responsáveis, mas eu estou confortável com a conclusão a que chegamos quando estudamos o caso em junho de 2008: ninguém sabe ao certo. A única certeza é que não há relevância a longo prazo. Se você acha que um sistema monetário e de comércio global quebrado, e que vem quebrando há dez anos, será corrigido em algumas reuniões entre a turma de MBAs de Harvard, então, por favor, venda ouro e compre ações.

A imprensa de Wall Street relatou a queda de 4% com manchetes como "Chacina no Mercado de Ouro". Vamos, mais tarde, comparar a chacina no ouro com a do mercado de ações este ano.

 
Razão do preço do ouro médio mensal / média mensal do S&P 500

O ouro subiu 20% em 2010, comparado com 5% para o S&P500, numa média mensal. Grande chacina... Essa tabela será atualizada para o nosso relatório de final de dezembro, onde vou repassar minhas previsões para o ouro e o mercado de ações para 2010, um ano de reflação pós-recessão.

CI: Você disse que tinha uma atualização do gráfico de 10 anos.
EJ: Aqui está. 2010 vai marcar o décimo ano consecutivo de ganhos no preço do ouro.


Média mensal do preço do ouro versus média mensal S&P500 (janeiro de 2001 a novembro 2010)

Mas o que é um "hedge"?
 
CI: Não se esperaria que o ouro superasse o desempenho das ações no longo prazo.
EJ: O mais estranho sobre o desempenho da nossa carteira de ouro e de obrigações do Tesouro americano é que o ouro e títulos do Tesouro são considerados um hedge contra saques em ativos-base, especialmente ações, mas os hedges supostamente de curto prazo superaram o ativo principal que deveriam estar protegendo. Nós temos só os hedges, e não os bens que deveriam proteger.

CI: Se o desempenho do ouro foi muito melhor este ano do que o esperado, o que nos aguarda para o próximo ano?
EJ: Tenha em mente que o principal motor para o preço do ouro em 2010 foi a reflação, e o principal motor da reflação foi a depreciação do dólar, que deixou p*utos da vida a China, o Brasil e o resto do G20 antes das reuniões da semana passada.

CI: Então não há uma grande correção do ouro a caminho?
EJ: Eu não disse isso. Desde 2001 sobrevivemos a duas correções importantes do mercado de ouro, uma em 2006 e outra em 2008. Não emitimos um alerta de preço para o ouro desde 5 de março de 2008, quando o ouro era negociado a USD 974. Naquela época, em Gold Update: The small trade within the big trade, avisamos que uma correção de USD 200 estava por vir. A correção começou duas semanas mais tarde, depois que os preços do ouro passaram brevemente a marca dos USD 1.000.


Desde 2001, o preço do ouro mostrou quatro tendências distintas de crescimento, como mostrado acima.

A. 2001 - 2006: trade de desvalorização da moeda e da inflação graduais no pós-bolha.
B. Primeiro semestre de 2006: Comércio especulativo rápido.
C. Primeiro semestre de 2006 a 2007: Reinício da desvalorização cambial e do trade gradual da inflação.
D. 2007 - Presente: Novo trade especulativo rápido.

No final das contas, a correção foi mais profunda do que eu esperava, mais perto de USD 300 a USD 200, caindo até USD 712 em outubro, refletindo o impacto do colapso global dos mercados de crédito privado em investimentos não-denominados em dólar, antes da reflação econômica e socorro aos bancos (bailouts) começarem para valer. Aqui está o gráfico atualizado até hoje.



Duas correções importantes preço do ouro durante a escalada de dez anos

O gráfico mostra a correção que previmos para março de 2008 e que, de fato, começou naquele mês. A escalada durante a reflação de hoje atravessou a temporada de eleições nos EUA e também a reunião do G20. Com 20% de ganhos até agora este ano os preços do ouro estão muito à frente do aumento de 4% eu previ em janeiro.

CI: Você acha que as duas correções do preço do ouro, "A" e "B", em 2006 e 2008, respectivamente, podem ser seguidas por uma terceira, "C", em breve?
EJ: Bem, está chegando a hora de alguém cometer uma burrice. Como os governos se colocaram num canto apertado, as únicas saídas são ou aguentar a dor ou então derrubar a parede para tentar escapar.

As defesas contra a deflação de dívidas dos EUA, ou seja, a desvalorização da moeda e a flexibilização quantitativa (quantitative easing), estão criando uma crise de entrada de capitais e de inflação para a Europa, Ásia e América Latina.

As conseqüências domésticas de não cancelar as dívidas da Era da Bolha de Crédito são o alto desemprego crônico e políticas inflacionárias para fechar o chamado Hiato do Produto (Output Gap), que têm o efeito de elevar a inflação nas economias dos parceiros comerciais dos EUA. Não dá para mundo conseguir o que quer.

CI: E quanto a sua previsão para dezembro de 2010, de que o índice Dow Jones chegaria a 7000-8000 até o final do ano?
EJ: Não parece que será o caso.

CI: Mas o índice realmente chegou ao pico perto de 11.000, como você havia dito.
EJ: Certo. A questão era, qual a altura que seria atingida no Segundo Salto da Deflação da Dívida deste mercado em baixa (bear market)? Errei por quatro meses quanto ao momento do fim do primeiro salto. Terminou em abril de 2010, não dezembro de 2009. Ainda vejo um DJIA no intervalo de 7000 a 8000, mas talvez isso leve alguns meses a mais, comparado com o que calculei em janeiro. A questão para as ações é a política de reflação. O impasse no novo Congresso, dividido entre democratas e republicanos, não vai permitir que se realizem cortes, mas também não haverá programas de estímulo, a menos que haja urgência. Um colapso da bolha da China pode criar essa urgência. Vamos ficar de olho nessa questão.

CI: Você acha que devemos ter outra correção no preço do ouro, como aconteceu em 2008?
EJ: Não como em 2008. A estrutura dos mercados de crédito privado não chega nem perto do que era em 2008. Ninguém é tão burro hoje. Ninguém acredita que as agências de rating dos EUA são independentes. Basta ver o mercado de títulos comerciais garantidos por ativos (asset-backed commercial paper).


Ninguém acredita que um título de agências do governo, como Freddie Mac ou Fannie Mae, é "livre de risco". O mesmo vale para uma obrigação do Tesouro dos EUA. Não há risco de default, mas o risco de inflação está presente. Hoje Greenspan alerta de forma aberta sobre isso.

CI: Como o mundo mudou em três anos! Será que a "austeridade" é a próxima onda de política governamentais que vai derrubar os preços das commodities?
EJ: A alavancagem está agora nos balanços públicos, não nos privados, então um repeteco de um impulso deflacionário como em 2008 não é provável. Foi o máximo de "deflação" que veremos pelo resto de nossas vidas. Mas é importante distinguir entre os EUA e a União Européia. Os gestores de fundos podem esperar que as assim-chamadas medidas de "austeridade" reduzam os riscos de crédito soberano ao longo do tempo, mas acho que todos os esforços para cortar gastos do governo de curto prazo serão frustrados pelos custos crescentes da energia a longo prazo, dado o aperto dos altos preços das commodities, o pagamento de dívidas e os baixos salários, que sufocam a classe média americana. No momento, o risco de crédito soberano na Europa é pior do que o dos EUA.


Isso está ajudando a empurrar a rentabilidade das obrigações do Tesouro dos EUA para baixo.

CI: Qual a profundidade possível de uma correção no preço do ouro?
EJ: Podemos ver uma correção de até 20% nos próximos 12 meses, mas fico relutante em dizer isso porque, ao contrário do aviso em março de 2008, o motor desta vez não é tão claro, nem tão certo. Francamente, é baseado em pouco mais do que intuição.

CI: Algo incomoda você?
EJ: Os bancos centrais odeiam ouro a preços elevados. Faz com que pareçam incompetentes. Num mundo perfeito, na visão dos banqueiros centrais, os preços do ouro deveriam ter caído de USD 35 para USD 7,50 após 1971, quando o ouro foi desmonetizado. Mas o que aconteceu é que disparou para USD 850. Durante 16 anos, de 1987 a 2003, o sistema funcionou muito bem, mas mesmo que os bancos centrais não estejam subordinados a governos nacionais, devem certamente prestar contas a eles. A Guerra do Iraque começou a dissolver essa relação estreita. Quando os EUA levaram o sistema financeiro global à falência em 2008, foi a gota d'água para muitos líderes mundiais.

Neste momento, existem numerosos estopins potenciais para a próxima grande correção nos preços do ouro e das commodities. Primeiro, podem forçar os EUA a interromper sua desvalorização da moeda – esse é um deles. A implementação de fato de austeridade nos EUA é outra. Para mim, a probabilidade de isso ocorrer é de quase zero. A austeridade, como observei no início do ano, é uma promessa de campanha para você se eleger. Nenhum político quer cortes de gastos significativos durante o seu mandato, se for possível evitar tal coisa. Outra possibilidade é a percepção de que a guerra cambial que começou em 2001, mas só foi chamada assim publicamente este ano - pelo Brasil - pode estar chegando ao fim. Não é o caso, mas a correção do preço do ouro, imediatamente antes e durante o G20, provavelmente reflete a especulação e vazamentos de informação que poderiam ser tomados como indícios de que um novo sistema monetário está próximo. O ouro disparou antes da reunião com as notícias da discórdia e pode estar passando por uma correção com rumores sobre cooperação entre países, especialmente o que parece ser concessões pelos EUA no sentido de interromper o processo de levar seus parceiros comerciais à pobreza. Os fundos estão negociando com base em boatos. O ouro é um barômetro da discórdia entre bancos centrais. Dado que o G20 terminou sem qualquer resolução para os conflitos do comércio e da moeda, se os preços do ouro subirem na segunda-feira, teremos então a nossa resposta.

CI: O que você acha da declaração de Greenspan, feita no dia antes do início do G20? Ele disse que os EUA estavam seguindo "uma política de enfraquecimento da moeda".
EJ: Os comentários do Greenspan, que não é a minha pessoa favorita, foram seguidos pelos comentários não-autorizados de Volcker sobre a eficácia do QE2, afirmando o óbvio: que os EUA estão usando a desvalorização da moeda não só para aumentar as exportações, mas, como já advertimos há anos, para adiar a deflação da dívida ou escapar de uma armadilha de liquidez usando um truque infalível.

CI: Truque infalível?
EJ: Essa é uma frase que leitores atentos vão se lembrar, das minhas previsões do início de 2007: haveria desvalorização da moeda. Não se trata de aumentar as exportações, como a maioria dos comentaristas acreditam hoje. Não é sobre um tentative de empobrecer seu vizinho com uma moeda fraca para impulsionar as exportações. Trata-se de deflação da dívida. Os EUA estão em uma recessão de balanço. Se os EUA permitirem que o dólar se valorize, perde a principal fonte de sinais de inflação na economia, os preços da energia e das importações. Dá até para imaginar uma reunião com apresentações de PowerPoint. Há o representante dos EUA explicando os perigos da deflação nos EUA. Há o representante da China rebatendo que o gerenciamento da deflação da dívida por meio da depreciação da moeda funcionou para os EUA em 1933, mas não estamos em 1933. Os EUA são um país devedor, e são os credores dos EUA que agora correm perigo com a política dos EUA de deflação da dívida. A China está exigindo ser paga em dólares plenamente valorizados. Queremos uma RMB mais fraco? Podemos aumentar nossas taxas de juros. Mas isso vai destruir a nossa economia, dizem os EUA. E assim por diante. Não admira que não se chega a lugar nenhum. Se os EUA cedessem, uma subida do dólar iria colocar rapidamente os EUA de volta em recessão e deflação. Com um Congresso dividido, uma nova crise será necessária para criar um consenso para implementar novas medidas de estímulo fiscal. Nessa janela de oportunidade, todos os mercados, incluindo o ouro, podem sofrer os efeitos de uma corrida rumo à liquidez. Mas, de novo, isso é tudo especulação. Simplesmente não há nenhuma maneira de saber.

CI: A quanto à história da mídia de massa de que a China pode elevar os juros para combater a inflação e que isso deve derrubar o ouro?
EJ: Talvez. Mas é por isso que é um desperdício de tempo tentar entender os movimentos dos preços do ouro no curto prazo. Se, de fato, a China elevar as taxas e destruir sua economia em sua segunda tentativa de encolher sua bolha imobiliária, até que ponto o ouro vai cair antes que comecem novas medidas de reflação? USD 1.200? USD 1.000? E que efeito essas medidas vão ter? Vão empurrar o ouro para USD 2.000? USD 5.000?

CI: Algumas palavras finais sobre o ouro?
EJ: Nos últimos dez anos, o preço do ouro teve a ver com quem ganha e quem perde o próximo lance do Grande Jogo. Aceite a ambigüidade. Procure anomalias e contradições no enredo contado, em alto e bom som, pela maioria dos analistas.


sábado, 13 de novembro de 2010

O Fed Pode Quebrar

Ler no original

Postado por Marco Aurélio

Neste artigo, Jim Rickards continua a mostrar que é um dos pensadores mais brilhantes e originais no mundo financeiro atual. Seu mais recente artigo, escrito exclusivamente para o blog de King World News, é de leitura obrigatória. Jim discute a possibilidade do Fed quebrar. "Agora, o balanço do Fed mostra um capital total de cerca de USD 57 bilhões. Ativos circulantes totalizam cerca de USD 2,3 trilhões. O plano que estão querendo lançar agora vai elevar ativos totais para além de USD 3 trilhões. Nesse nível, só é preciso uma queda de 2% nos valores dos ativos para zerar o capital do Fed. Dito de outro modo, só é necessário uma queda de 2% no valor médio dos ativos no balanço do Fed para que ele quebre. E isso se dá, é importante lembrar, em um ambiente onde vários mercados freqüentemente sobem e descem 3% em um único dia".

Sem Saída

James G. Rickards

(5/11/2010 - King World News) – Os desastres às vezes chegam a passos miúdos. Podem não parecer ameaçadores no momento, mas cumulativamente levam ao colapso. O Fed está levando os Estados Unidos à ruína de formas que são, dizem, bem-intencionadas e benignas, vistas de maneira isolada, mas que nos levam, no final, a uma sala trancada parecida com a da peça "Sem Saída", de Sartre.

O Fed finalmente embarcou no QE2, a viagem mais anunciada e divulgada desde o episódio do balloon boy em outubro de 2009 – uma viagem com a qual o QE2 tem impressionantes paralelos. Claro, QE, ou quantitative easing (que podemos traduzir como “relaxamento quantitativo” – M.A.) nada mais é do que um eufemismo para o que realmente está acontecendo. Vamos deixar de lado a expressão “QE”, mais própria da linguagem orwelliana, e usar um termo mais adequado: imprimir dinheiro.

Como o Fed imprime dinheiro? É fácil: simplesmente compra títulos do mercado e creditam a conta bancária do vendedor com o dinheiro eletrônico que tiram da cartola. Quando querem reduzir a oferta de dinheiro, fazem o oposto, ou seja, vendem títulos e a conta bancária do comprador é reduzida pelo preço de venda, fazendo com que aquele dinheiro desapareça. Assim, a impressão de dinheiro é apenas um programa gigantesco de compra de títulos. O Fed pretende concentrar a compra de títulos no setor intermediário, em títulos com maturidades de 5 a 10 anos.

Consequentemente, o Fed parece cada vez mais com um hedge fund altamente alavancado, com uma pirâmide de dívida arriscada, volátil e podre equilibrando-se sobre uma fina camada de capital. Lembre-se que o Fed possui a carteira podre Maiden Lane do Bear Stearns, além de USD 1,4 trilhões em hipotecas, cujo valor está em dúvida por causa de defaults estratégicos, títulos de propriedade perdidos e arrestos (foreclosures) parados. Notas do Tesouro podem ser de boa qualidade de crédito caso você não se importe em ser pago com dólares desvalorizados, mas até notas do Tesouro têm risco de mercado. Se os juros sobem, o valor das notas do Tesouro cai – é simples assim. O Fed está assumindo tanto o risco de crédito e risco de mercado em seu balanço em quantidades sem precedentes.

Agora o balanço do Fed mostra cerca de USD 57 bilhões em capital total. Ativos circulantes somam cerca de USD 2,3 trilhões. O plano de impressão de dinheiro vai levar a conta de ativos circulantes para mais de USD 3 trilhões. Nesse nível, só é preciso uma queda de 2% nos valores dos ativos para zerar o capital do Fed. Dito de outro modo, só é preciso uma queda de 2% no valor médio dos ativos no balanço do Fed para que o Fed quebre. E isso em um ambiente onde vários mercados freqüentemente sobem e descem 3% em um único dia.

Qual o grau de risco do programa do Fed de compras de títulos? Enorme. Para aqueles que não são operadores de títulos, ficam aqui algumas sugestões rápidas. Primeiro, títulos de termo médio são mais voláteis do que os de curto prazo. O Fed tradicionalmente compra títulos do Tesouro de um ano ou menos de maturidade. Esses títulos não são muito voláteis e não mudam de preço quando as taxas de juros mudam. Assim, as perdas da marcação a mercado nunca são tão grandes. Mas as notas de 10 anos são altamente voláteis e os prejuízos podem ser enormes, mesmo com modestos aumentos na taxa de juros. Em segundo lugar, com o Fed representando uma parte tão grande do mercado de treasuries, a liquidez vai diminuir, já que haverá menos agentes para comprar e vender diariamente, dado o papel dominante do Fed. Isso significa que o spread entre compra e venda vai aumentar, tornando a venda dos papéis adquiridos pelo Fed um processo caro, quando chegar a hora. Se o Fed está vendendo, quem é que vai querer comprar? 

Finalmente, existe um conceito chamado "DVO1", que é um jargão do mercado para o "valor em dólar de 1 ponto-base". Essa é uma medida de quanto um título cai de preço em resposta a um aumento de 1 ponto-base nas taxas de juros. Acontece que DVO1 é maior quando as taxas de juros estão mais baixas. Em outras palavras, a queda no preço de um título em resposta a um aumento de 1 ponto-base nas taxas é maior quando as taxas estão em 1% do que quando estão em 5%. Esse elemento da volatilidade é independente do fato de que maturidades mais longas são mais voláteis; portanto, ter prazos mais longos e um ambiente de baixas taxas de juros equivale a mergulhar explosivos plásticos C4 numa balde de nitroglicerina.

Quando os críticos levantam a questão de perdas com a marcação a mercado, o Fed tem uma resposta simples: vão segurar os títulos até o vencimento. O Fed não precisa marcar a mercado; podem simplesmente manter os ativos até o vencimento e recolher o valor total do Tesouro ou de outros emissores. Vamos apenas ignorar, por um momento, que alguns dos ativos e hipotecas mais podres não vão pagar nada, nunca. Isso vai demorar anos para ser descoberto; por enquanto, vamos dar ao Fed o benefício da dúvida e dizer que as perdas da marcação a mercado não importam, porque ele não tem que vender.

Os críticos também levantam a questão de que imprimir uma quantidade tão grande de dinheiro vai resultar em inflação, no melhor caso, e talvez em hiperinflação, se a velocidade decolar devido a mudanças comportamentais. O Fed também é muito tranqüilizador sobre esse ponto. Dizem para não preocupar com isso porque, aos primeiros sinais de inflação sustentada e crescente, vão reverter o curso e reduzir a oferta de moeda através da venda de títulos, cortando a inflação pela raiz. Mas note também que o mundo em que o Fed quer vender os títulos seria também um mundo de inflação crescente e, portanto, de taxas de juros também crescentes. Esse é um mundo de enormes perdas por causa da marcação a mercado sobre os títulos.

O Fed está dizendo para não nos preocuparmos com as perdas advindas da marcação a mercado, porque vai segurar os títulos até o vencimento. O Fed está dizendo para não nos preocuparmos com a inflação porque vai vender os títulos. Ambas as declarações não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Você pode segurar titulos e você pode vender títulos, mas você não pode fazer ambos ao mesmo tempo. Você vai querer vender quando as taxas estiverem subindo, quando os prejuízos serão maiores. Portanto, o momento em que você mais vai querer vender é a hora em que mais vai querer segurar. O Fed pode dizer que eles podem contornar isso vendendo vencimentos mais curtos apenas para reduzir a oferta de dinheiro, enquanto seguram prazos mais longos. Mas isso só degrada ainda mais a qualidade do balanço do Fed e o transforma em uma armadilha para ativos altamente voláteis e de baixíssima qualidade.

Então, eis o resumo da ópera da impressão de dinheiro – ou QE, se preferir. Se nada acontecer, a coisa toda terá sido um desperdício de tempo. Se a inflação decolar, o Fed terá de escolher entre manter títulos e deixar a inflação piorar, ou vender títulos e ir à falência no processo. Já que nenhuma institutição vai à lona sem lutar, o Fed irá, naturalmente, manter os títulos e deixar a inflação decolar. Não pergunte sobre a estratégia de saída do QE, porque não há.

Siga o Jim Rickards no Twitter em twitter.com/JamesGRickards

Será QE2 uma Negociata Secreta para Dar USD 90 Bilhões de Presente para os Primary Dealers?

Submetido por Tyler Durden

Postado por Marco Aurélio

Já falamos antes sobre como, devido à impossibilidade de saber a que preço (nominal ou de mercado) o Fed está comprando de volta títulos dos primary dealers (PDs), há uma possibilidade clara de que, devido à diferença entre o valor de mercado e o valor nominal, especialmente com muitos CUSIPs trocando de mãos muito acima do valor nominal, o Fed pode estar, na surdina, implicitamente deixando os PDs embolsar a diferença entre o valor de mercado e o valor teórico. O total embolsado pode chegar a mais de USD 40 bilhões. Além disso, ao evitar o spread apertado dos títulos mais negociados (on the run bonds), o Fed está efetivamente permitindo que os PDs embolsem o enorme spread entre compra e venda. Presumindo um total de aproximadamente 800 bilhões (estimando por baixo) de todos os USTs adquiridos ao longo da primeira fase do QE2, também conhecido como QE2.5 e pré-extensões mais elevadas, chega-se a um total de USD 50 bilhões no decorrer dos próximos oito meses. Já que o dinheiro pago certamente não pertence a Brian Sack, mas sim aos contribuintes americanos, a quem o Fed de NY já demonstrou repetidamente não ter nenhuma obrigação fiduciária, pode-se ver por que é prudente perguntar quanto desse dinheiro está “vazando” durante o processo de monetização. Certamente o Bernanke é capaz de entender por que, num momento em que Wall Street está prestes a embolsar USD 150 bilhões em bônus, os Estados Unidos podem estar um pouco preocupados com a possibilidade de que QE2, além de ser um regime de monetização flagrante da dívida, seja também um mecanismo de financiamento direto do contribuinte para os primary dealers. Esperamos que o deputado Ron Paul exija uma resposta para essas perguntas assim que possível.