Mostrando postagens com marcador ouro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ouro. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de dezembro de 2010

S&P 500 Deflacionado pelo Ouro

Jesse's Café Américain


Postado por Marco Aurélio

O mercado de ações dos EUA, quando deflacionado pelo ouro, nunca se recuperou da crise financeira. Este é o melhor espelho da economia real, na qual o desemprego e o subemprego correm a níveis acima de 17%.

O único motivo para a alta nas Bolsas dos EUA é a expansão monetária do balanço do Fed. A maior parte desse novo dinheiro foi canalizada para o setor financeiro, onde está sendo consumida por especulação, dívidas incobráveis e enormes bônus de fim-de-ano para quem trabalha no setor financeiro.

Clique no gráfico para ampliar.


Chineses Importam 5 Vezes Mais Ouro em 2010, Preço Pode Chegar a USD 1600 Até o Final do Ano

Eric King entrevista Ben Davies
KingWorldNews.com


Postado por Marco Aurélio

Com o ouro e a prata atingindo níveis recordes esta semana, King World News entrevistou Ben Davies, que vive em Londres. Quando perguntei sobre o movimento nos mercados de ouro e prata, Davies afirmou:
Estamos na iminência de ver um enorme short squeeze (aperto nas posições vendidas) no mercado de ouro. Foi isso que vimos no mês passado; a mesma coisa parece que vai acontecer de novo. A demanda física vinda da Ásia está descendo como uma avalanche sobre as posições vendidas de ouro, no mercado de papel. Se isso vale para o ouro, o mesmo também é verdade para a prata – só que elevado ao cubo.
Ben Davies continua:
Mesmo usando a emissão de dívida como forma de financiamento nos EUA, o governo não está conseguindo gerar empregos. O mundo inteiro está se afogando em dívida. O crescimento anêmico na oferta de empregos, embora seja um indicador que se manifesta com certo atraso, foi o que mais contribuiu para o aumento da taxa de desemprego nos EUA para 9,8% e para a baixa renda salarial horária. Os EUA não vão conseguir crescer para melhorar a atual relação entre dívida e PIB. A única maneira de crescer o PIB nominal é continuar a desvalorizar o dólar, por meio de uma flexibilização quantitativa e qualitativa em todo o mundo.
Justo quando os investidores acreditavam que os EUA estavam preparados para crescer, o que ajudaria a melhorar os problemas estruturais da zona do euro, vieram os números sobre a criação de empregos nos EUA em novembro, que acabaram com quaisquer expectativas. Não é à toa que os chineses, como já discutimos, já importaram cinco vezes mais ouro em 2010 do que em 2009. Os chineses gostam de comprar ouro quando o preço cai; evitam correr atrás do produto no mercado. Da mesma forma que antes compravam títulos do governo americano, agora estão comprando ouro. Como o porta-voz do PBOC (People’s Bank of China) recentemente sugeriu de forma implícita, vão continuar a se desfazer de seus dólares para investir em ouro – um ativo monetário.
Então, por enquanto, qualquer queda no mercado de ouro e prata físicos vai encontrar obstáculos. Temos um grande interesse aberto nas opções de compra a USD 1.400 no mercado de ouro (papel) da Comex. Talvez a gente veja uma repetição do squeeze nas opções de compra, igual vimos a USD 1.300 no mês passado. Quanto mais valor criarmos acima de USD 1.400, mais provável se torna que o mercado de papel se venda. Podemos começar a ver os níveis de USD 1.600 que discutimos nas edições anteriores aqui no King World News – isso até o final de 2010. Talvez até tenhamos um pouco de exagero e alcancemos USD 1.800. É preciso estar sempre alerta quando os níveis de volatilidade implícita estão tão baixos num mercado otimista (bull market). Existe uma grande incerteza na economia global, bem como uma grande desconfiança em relação ao dinheiro fiduciário subjacente.
Ben Davies, juntamente com James Turk, previu corretamente essa explosão nos preços dos metais preciosos quando a prata ainda estava na faixa de USD 17 a USD 18. O timing foi literalmente perfeito. Davies já emitiu um alerta para os vendidos (shorts) em ouro. 

Meu conselho é, mais uma vez, sentar e apreciar o circo pegando fogo – sempre um caloroso espetáculo.

Eric King
KingWorldNews.com
Para voltar ao blog clique aqui.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Chris Powell: Penetrando o Véu de Mistério do Mercado de Ouro

Postado por Marco Aurélio

Quarta-feira, 27 outubro de 2010

Chris Powell
Secretário-Tesoureiro / GATA - Gold Anti-Trust Action Committee Inc. (Comitê do Movimento Anti-Truste no Mercado de Ouro)
Conferência sobre Investimento de Nova Orleães
Hilton New Orleans Riverside Hotel

Os mercados de metais preciosos apresentam um tremendo potencial para os investidores. Mas também estão envoltos em grande mistério – por um bom motivo.

O ouro é o mercado financeiro menos compreendido. A maioria dos dados oficiais sobre o ouro é, na verdade, pura desinformação.

Anos atrás, o GATA revelou que o Fundo Monetário Internacional, o prinicpal mantenedor de registros sobre reservas oficiais de ouro, permitiu a seus países membros inspecionar o ouro que haviam contratado em regime de leasing. Esse ouro havia deixado seus cofres, mas era como se ainda estivesse lá. O efeito dessa fraude contábil foi enganar o mercado de ouro e levá-lo a pensar que os bancos centrais tinham mais ouro para colocar no mercado do que realmente tinham.

Mas isso é apenas o começo da desinformação.

Em abril de 2009, a China chocou o mundo ao anunciar que suas reservas de ouro haviam aumentado em 76%, de 600 toneladas para 1.054 toneladas. Durante os seis anos anteriores, a China havia relatado ao FMI apenas 600 toneladas. Será que a China havia adquirido as novas 454 toneladas somente no ano seguinte? Pouco provável. Os especialistas agora acreditam que a China adquiriu as 454 novas toneladas no decorrer de vários anos, principalmente por meio da compra da produção de suas próprias mineradoras, em processo de franco crescimento. Assim, durante um período de até seis anos, os dados oficiais sobre as reservas de ouro da China estavam completamente errados.

Este junho deste ano, o Conselho Mundial do Ouro relatou que as reservas de ouro da Arábia Saudita haviam aumentado em 126%, de 143 para 323 toneladas, contando desde apenas 2008. O fato da superpotência de petróleo do mundo comprometer-se a ter ouro em suas reservas externas causou também uma breve sensação.

Mas algumas semanas mais tarde, o governador da Autoridade Monetária da Arábia Saudita, Mohamed Al Jasser, insistiu com repórteres no Kuwait que a Arábia Saudita não tinha comprado o ouro a que os relatórios de junho se referiam, mas que mantivera esse ouro extra o tempo todo no que chamou de "outras contas" - ou seja, em contas não informadas oficialmente. Isso é semelhante à forma como o verdadeiro estado das contas de ouro da China não foi tornado público por seis anos – se é que a verdade está sendo contada mesmo agora.

Alguns analistas acreditam que a China e a Arábia Saudita têm acumulado muito mais ouro do que estão querendo falar e que estão acumulando ainda mais ouro subrepticiamente – a China para dar cobertura (hedge) ao excedente de dólares em divisas e a Arábia Saudita para cobrir tanto os seus excedentes de dólares quanto o esgotamento de suas reservas de petróleo. Acreditam, entretanto, que a China e a Arábia Saudita não podem admitir que essa acumulação esteja ocorrendo para não assustar os mercados cambiais e desvalorizar os seus excedentes de dólares, antes que esses excedentes estejam totalmente cobertos (hedged).

Em agosto de 2009, um consultor da GATA, Rob Kirby, da Kirby Analytics em Toronto, obteve do banco central da Alemanha, o Bundesbank, uma confissão por escrito de que grande parte do ouro nacional da Alemanha é mantido fora do país em "centros comerciais", onde o Bundesbank pode "realizar as suas transações em ouro". Sem confirmar explicitamente que o Federal Reserve Bank de Nova York é um desses "centros comerciais", o Bundesbank informou a Kirby que o Fed de Nova York custodia ouro para 60 nações e organizações internacionais.

Mas exatamente quanto ouro alemão está onde, e para que propósito, especialmente quando o assunto são operações com ouro (trading)? Quanto ouro alemão foi emprestado (leased) ou alienado? O Bundesbank não diz.

Em setembro de 2009, ao buscar acesso a regsitros do ouro do Fed e, em seguida, processar o Fed na Corte Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia, o GATA obteve uma admissão sensacional, por escrito, do Fed, assinado por Kevin M. Warsh, membro do Conselho de Governadores do Fed e ex-participante do Grupo de Trabalho do Presidente para Mercados Financeiros – o assim-chamado Plunge Protection Team (Time de Prevenção a Quedas Acentuadas nos mercados de ações). Warsh escreveu que o Fed mantém acordos secretos de swap de ouro com bancos estrangeiros e que esses acordos devem ser mantidos em segredo.

Então será que o ouro das reservas dos EUA foi trocado (swapped)? Será que os Estados Unidos realmente têm 8.200 toneladas de ouro em suas reservas, como afirma há muito tempo?

Warsh, o Governador do Fed, não chegou a dizer que o ouro dos EUA havia sido trocado; apenas que o Fed mantém acordos de swap de ouro. Mas faz mais de meio século que as reservas de ouro dos EUA não são auditadas e a última auditoria não foi completa. Assim, na próxima sessão do Congresso dos EUA, Ron Paul espera introduzir um projeto de lei que vai exigir uma auditoria das reservas de ouro, incluindo especificamente quaisquer ônus sobre elas, como swaps e contratos de arrendamento.

Depois, há os grandes ETFs (fundos negociados em bolsa) de ouro e prata, que foram estabelecidos nos últimos anos – alguns supostamente para ajudar os investidores comuns a investir convenientemente em ouro e prata. Quanto desses metais os ETFs realmente têm?

Enquanto os principais ETFs de ouro e prata freqüentemente relatam suas participações nos metais preciosos, estudos realizados por James Turk, fundador da GoldMoney, e Catherine Austin Fitts, membro do conselho do GATA, junto com seu advogado, Carolyn Betts, sugerem que esses dados tampouco são confiáveis. Pois os principais ETFs não divulgam exatamente onde está o metal. Aliás, seus prospectos de lançamento dizem que não haveria problema mesmo que os ETFs não soubessem onde o metal é guardado em custódia e subcustódia. E os guardiães dos principais ETFs de ouro e prata são, talvez não por coincidência, também os dois grandes bancos internacionais que relatam ter as maiores posições vendidas (shorts) em ouro e prata, posições vendidas que dão a esses bancos e custodiantes do metal um forte interesse em suprimir o preço dos ativos que supostamente deveriam guardar para investidores que, supõe-se, querem que subam em valor.

Quanto ouro e prata os maiores ETFs realmente possuem em seus cofres? Quanto desse total está onerado de alguma forma? Nunca será permitido que os investidores em ETFs saibam.

O maior assim-chamado mercado de ouro "físico" do mundo é aquele mantido pelo London Bullion Market Association. O LBMA publica estatísticas sobre a quantidade de ouro e prata negociada por seus membros. Mas essas estatísticas mostram volumes espetaculares, muito mais metal do que poderia existir. Claro que muito desse metal pode existir e estar sendo vendido e revendido várias vezes por dia. Mas um especialista nesse mercado, Jeffrey Christian, do CPM Group, admitiu na audiência de 25 março da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) dos EUA, como já havia admitido num relatório explicativo publicado em 2000, que o mercado do ouro em Londres é realmente um sistema bancário de ouro fracionário construído sobre o pressuposto de que a maioria dos compradores de ouro nunca vai tomar posse física do seu metal, mas sim deixá-lo em custódia com os membros da LBMA de quem o ouro foi comprado.

Adrian Douglas, membro do Board da GATA, estudou tanto as estatísticas da LBMA quanto o trabalho de Christian. Estima que a grande maioria do ouro vendido pelos membros da LBMA não existe - que a maioria das vendas de ouro por membros da LBMA é altamente alavancada. Até que ponto? Quanto do ouro devido por membros da LBMA não existe de fato? O LBMA não informa. Como as medidas de swap de ouro do Fed, não se pode permitir que o mundo saiba. As consequências poderiam ser catastróficas para os interesses dos bancos que mandam no mundo.

Pois então o mundo poderia entender porque, mesmo com a recente alta dos preços, para acima de USD 1.300 a onça, o ouro não chegou nem perto de acompanhar a inflação, com o aviltamento da moeda, da últimas décadas, e por que o ouro não tem cumprido sua função de hedge contra a inflação. Ou seja, os inimigos do ouro descobriram uma forma de aumentar a sua oferta em muito, sem se dar ao trabalho de escavá-lo da terra. Inventaram o "ouro de papel" - ouro que não existe, mas que muitos compradores aceitam, sem suspeitar que as grandes instituições financeiras podem enganar ou roubá-los.

* * *

O equívoco do mercado do ouro continua com o péssimo jornalismo dos meios de comunicação.

A falsidade dos dados apresentados pelos jornalistas sobre o mercado de ouro é gritante.

Entre outros problemas, encontramos:

* A omissão, pelos relatórios oficiais, da história do ouro, que supostamente está nas reservas oficiais dos governos, mas pode ter passado por processos de leasing ou swap.

* As mudanças enormes e repentinas nos totais oficiais das reservas de ouro de cada país.

* A fraude e os conflitos de interesse nos prospectos de lançamento de ETFs.

A documentação existente sobre o mercado de ouro também é gritantemente suspeita em vários aspectos:

* A existência de posições, enormes e desproporcionais, em ouro, prata, e derivativos de taxas de juros, com posições concentradas em apenas dois ou três bancos internacionais. Essas posições jamais poderiam ter sido realizadas sem a anuência expressa ou implícita do governo dos EUA.

* Dezenas de registros oficiais, coletados e divulgados pelo GATA ao longo dos anos, demonstram os planos e o desejo do governo dos EUA de reprimir e controlar o preço do ouro.

Mas os jornalistas dos cadernos financeiros simplesmente não perguntam sobre esses assuntos. Afinal, quem são os grandes anunciantes na mídia financeira? Os manipuladores de mercado e os próprios governos.

Aqui estão alguns exemplos dessa falha grotesca do jornalismo – coletadas só este ano.

Em junho, o Bank for International Settlements, o banco central dos bancos centrais, revelou, por meio de uma nota de rodapé em seu relatório anual, que tinha realizado um swap de ouro de 346 toneladas – um tamanho sem precedentes. Mas o BIS não deu qualquer explicação. Um escritor de uma newsletter financeira foi em busca da informação; só então a notícia percolou e alcançou os principais véiculos de comunicação. O que será que está acontecendo?

Os repórteres da grande mídia financeira não se dão ao trabalho de ir até a fonte – isto é, não perguntam ao próprio BIS. Simplesmente presumem que os bancos centrais nunca dão respostas sérias sobre seus negócios. Ao invés disso, os repórteres ligam para analistas de mercado para obter o que esperam ser uma espécie de adivinhação bem-informada.

Poucos dias depois que o GATA ridicularizou a agência de notícias Reuters por não exigir respostas da fonte, o BIS, a Reuters tentou fazer perguntas ao banco e, em 16 de julho, relatou: "O BIS afirmou que o ouro em questão foi utilizado para 'operações de swap com bancos comerciais puros’, mas se recusou a responder a mais perguntas da Reuters sobre a transação."

Há um ano venho pedindo a jornalistas financeiros que liguem para a Federal Reserve para pedir uma explicação sobre os swaps de ouro secretos aos quais Warsh, o governador do Fed, admitiu. Até onde sei, nenhuma organização jornalística colocou oficialmente essas questões ao Fed. Mas, com a pulga atrás da orelha, uma repórter de outra agência de notícias importantes, não tendo conseguido autorização do seu editor para seguir uma história sobre o ouro, ligou para o Fed por conta própria e fez perguntas sobre o regime de swap de ouro. Ela me disse que um porta-voz do Fed afirmou: "Oh, nunca falamos sobre essas coisas."

O GATA vem ganhando fama ao longo do último ano, mesmo que com grande dificuldade. Alguns meses atrás, o Financial Times publicou uma longa matéria sobre o ouro, metade da qual continha as queixas do GATA sobre a manipulação do preço do ouro pelos bancos centrais e seus bancos associados encarregados de lidar com ouro físico. Mas o repórter do FT não colocou nenhuma de nossas reclamações e perguntas a qualquer representante de bancos centrais ou de governos.

Como é possível noticiar reclamações sobre a manipulação dos preços do ouro por parte de bancos centrais sem fazer perguntas aos próprios bancos centrais? Novamente, os repórteres parecem tomar como dado que os bancos centrais operam em segredo e não há nenhum sentido em questioná-los.

* * *

Talvez essa negligência jornalística vá mudar um pouco devido ao acontecimento notável ocorrido ontem em Washington.

Um membro da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) dos EUA, Bart Chilton, a quem Bill Murphy, presidente do GATA, em uma reunião na sede da CFTC em Washington, em dezembro de 2008, entregou provas da manipulação dos mercados de ouro e prata, fez uma declaração que teve um efeito notável sobre esses mercados. Numa audiência ontem da CFTC, Chilton emitiu uma declaração formal pedindo a sua comissão que atenda o desejo do público de saber mais sobre a investigação aparentemente interminável que a Comissão conduz sobre o mercado de prata.

Chilton acrescentou: "Creio que tem havido tentativas sucessivas de influenciar os preços nos mercados de prata. Tem havido esforços fraudulentos para persuadir e perversamente controlar esse preço. Com base no que me foi dito por membros do público, a em documentos disponíveis publicamente, acredito que ocorreram violações das Leis da Bolsa de Mercadorias (Commodity Exchange Act) nos mercados de prata e que qualquer violação da lei dessa forma deve ser processada."

Em questão de horas, a declaração de Chilton tornou-se uma notícia internacional. Claro que isso não significa que a mídia financeira vai começar a investigar a história da manipulação do mercado de metais preciosos de forma mais vigorosa agora. Mas a história se tornou muito mais difícil de ignorar. Na verdade, há poucas horas, uma ação alegando manipulação dos preços da prata pelo JP Morgan Chase & Co. e pelo HSBC foi ajuizada no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova York (U.S. District Court for the Southern District of New York).

* * *

Por que o ouro continua tão misterioso? Por que, juntamente com a prata, continua envolto em mistério?

É porque os dois metais preciosos não são apenas dinheiro, mas, do ponto de vista de indivíduos livres, o melhor tipo de dinheiro, menos suscetível ao que os governos vêem como a qualidade mais desejável do dinheiro fiduciário - sua susceptibilidade ao controle do governo e, em particular, sua propensão à desvalorização. Você pode imprimir ou emitir derivativos de ouro e prata em quantidades ilimitadas – mas esse não é o caso dos metais preciosos.

O ouro, em especial, é mantido como um mistério por ser a chave para destravar os mercados cambiais, que há muito tem sido os mecanismos mais eficientes do imperialismo.

Muitos de vocês já ouviram falar sobre o saque da Europa pela ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Mas a maioria desse processo de roubo não ocorreu de forma violenta. Ocorreu por meio dos mercados cambiais.

Esse saque pelos mercados cambiais foi descrito, em novembro de 1943, por uma carta de inteligência militar publicada pelo Departamento de Guerra dos EUA, denominada “Tendências Táticas e Técnicas”. É claro que a ocupação nazista confiscou quaisquer reservas de ouro que os bancos centrais dos países ocupados não houvessem enviado para o exterior a tempo. Mas, depois disso, a ocupação nazista ou emitiu uma moeda especial de ocupação que não poderia ser usada na própria Alemanha ou nos países que tinham sistemas bancários relativamente sofisticados, ou assumiu o controle dos bancos centrais locais e implementou uma taxa de câmbio mais favorável ao reichsmark. Ou então a ocupação nazista simplesmente imprimiu para si e passou a gastar enormes quantidades dos valores da moeda costumeira do país ocupado. Esse controle dos mercados de câmbio “convocou” todos os cidadãos dos países ocupados e os colocou a serviço da ocupação, criando um fluxo unidirecional de produção - um fluxo para fora dos países ocupados e para dentro da Alemanha.

Por alguns anos a Alemanha nazista teve um senhor déficit comercial. Mas, estando na posição de imprimir a moeda para a Europa ocupada, a Alemanha nazista nunca teve que cobrir esse déficit.

Como os Estados Unidos agora emitem a moeda de reserva do mundo, o dólar, passaram a “ocupar” economicamente a maioria dos países, mesmo os países que têm as suas próprias moedas, já que mesmo esses mantêm a maior parte de suas reservas cambiais em dólares .

O livre comércio, amplamente acessível, de ouro foi, é e sempre será uma ameaça à manipulação dos mercados de câmbio. Será sempre uma forma de escape de governos autoritários em geral e de qualquer governo autoritário, em particular. É por isso que muitos registros do governo dos EUA, compilados por GATA ao longo dos anos, discutem ou advogam abertamente ou descrevem como suprimir o mercado do ouro. Uma comunicação da Embaixada dos EUA em Paris para o Departamento de Estado em Washington, escrita em março de 1968, fala até sobre a necessidade das autoridades monetárias dos EUA de manter-se na posição de "senhores do ouro". Esse é também o motivo pelo qual as agências governamentais dos EUA, como o Fed, estão tentando desesperadamente impedir que outros documentos assim sejam divulgados.

Ou seja, o ouro representa o conhecimento secreto do universo financeiro e o seu valor real em relação a outras moedas é muito maior do que seu preço nominal hoje, já que grande parte do ouro que os investidores pensam que possuem na verdade não existe.

O trabalho do GATA é trazer esse segredo à tona. Rússia, China e outros países asiáticos descobriram que o sistema de reserva do dólar é o mecanismo de sua escravidão econômica e começaram a preparar sua libertação por meio de uma grande acumulação de ouro, antes que o ouro seja formalmente reinstituído como moeda de reserva mundial ou como um grande componente dessa nova moeda de reserva. Agora você também conhece o segredo. Esta maravilhosa conferência vai lhes dar muitas boas ideias para preparar-se e lucrar. Mas certifiquem-se de que, ao comprar metais preciosos, a compra seja de metal, não de papel. Caso contrário, vocês só vão estar sabotando a si mesmos.

domingo, 21 de novembro de 2010

Richard Russell - Todas as Moedas Fiduciárias Fracassarão


Postado por Marco Aurélio
 
Richard Russell começou a publicar suas Dow Theory Letters em 1958. Desde então, nunca deixou de publicar uma única edição. Hoje, o Dow Theory Letters é o boletim financeiro mais antigo do mundo.

Com o preço do ouro perto do seu pico histórico, o grande Richard Russell, santo-padroeiro dos escritores de boletins financeiros, declarou em sua mais recente análise que: 
"É óbvio que o Bernanke, com a ajuda do QE2 (flexibilização monetária 2, ou quantitative easing 2), quer jogar as taxas de juros de longo prazo para baixo e, ao mesmo tempo, empurrar os preços dos ativos (em especial das ações e imóveis) para cima. Devido ao tamanho gigantesco da nova onda de criação de dinheiro pelo Bernanke, alguns analistas estão chamando o QE2 de 'um jogo totalmente novo'."
Russell continua:
Nos próximos oito meses, o Fed vai comprar USD 600 bilhões em títulos do Tesouro dos EUA. Mas não é só isso. O Fed também vai comprar até USD 300 bilhões de dívida de agências (como Fannie Mae e Freddie Mac) que vão vencer. Isso significa que cerca de USD 900 bilhões de dinheiro novo será inserido no sistema. É tudo dinheiro novo, criado por computadores do nada.

Então, a pergunta é: será que o Bernanke (em face das críticas internacionais) vai recuar em sua estratégia de derrotar as forças da deflação por meio da impressão de dinheiro?

Minha resposta imediata a esta pergunta é que Bernanke NÃO vai recuar. Bernanke é um keynesiano verdadeiro, sincero, e já pediu desculpas (falando pelo Fed) por ter deixado a oferta de dinheiro diminuir durante a Grande Depressão da década de 1930.

Recuar agora significaria, na verdade, uma admissão por parte do Bernanke de que toda a sua estratégia de flexibilização quantitativa (QE) foi equivocada. Recuar agora significaria, para o Bernanke, capitular às forças da deflação. Não consigo conceber tal coisa. Acho que o Bernanke deixaria a presidência do Fed antes de se submeter à disciplina dos princípios econômicos austríacos.

A segunda questão que me preocupa é se as moedas fiduciárias, e me refiro a todas, vão sobreviver. Como meus assinantes sabem, acredito que as moedas criadas por decreto do governo são uma fraude, e que são tanto ilógicas quanto imorais. Creio que, em última instância, o papel-moeda, em todas as suas formas, está fadado ao insucesso. Todo sistema de moeda fiduciária da história fracassou, e não será diferente com as moedas de hoje."

Para assinar a Dow Theory Letters de Richard Russell, CLIQUE AQUI.

Richard Russell está certo – no final, todo dinheiro fiduciário fracassa.

Eric King


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Teoria e Prática da Re-Inflação

Entrevista com Eric Janszen, autor de A Economia Pós-Catástrofe: Reconstruindo a América e Evitando a Próxima Bolha.

Postado por Marco Aurelio

“Na teoria, o balanço do Federal Reserve pode ser expandido infinitamente."
-- Alan Greenspan, 2005

"Se os fatos não batem com a teoria, mude os fatos."
-- Albert Einstein

CI: Vamos começar com o item de maior urgência: que diabos está acontecendo com o ouro? Será que estamos vendo a "Grande Volatilidade" sobre a qual você vem avisando desde 2001, aquela que indicaria o fim do mercado em alta (bull market) para o ouro?
EJ: Não é um "bull market". A idéia de bull market e bear market é idiota, é um produto-conceito de vendas criado por Wall Street. Esqueça isso. Os mercados são um campo de batalha. A briga é por dinheiro. As armas são a informação e o controle da informação. O que determina o vencedor é o poder de compra, quem está aumentando o tanto que tem e quem está perdendo, por meio dos impostos, da desregulamentação, dos subsídios, da inflação ou da alavancagem. O resto é não interessa. Tendo dito isso, não, eu não acho que a volatilidade dos preços do ouro e da prata da semana passada indica que a subida do preço do ouro da última década acabou. É a mesma história, embora a hora do espetáculo esteja mais perto.

CI: Hora do espetáculo?
EJ: Compramos ouro em 2001 porque achávamos que os bancos centrais mundiais estavam protestando demais sobre a inutilidade do ouro como um ativo monetário; disseram que o ouro não tinha valor e, mesmo assim, ainda detinham mais de 20% de todo o ouro já produzido na história. Imaginamos que estavam armando um hedge contra a falha potencial de uma grande experiência, de uma moeda de reserva com base no dinheiro da dívida de um único estado soberano, os EUA. A Guerra do Iraque em 2003 e o colapso dos mercados de crédito global em 2008, devido a uma avaliação errônea e, portanto, uma precificação errônea de títulos garantidos por ativos (asset-backed securities), forneciam provas suficientes para os membros do Sistema, como Greenspan costumava chamá-los, de que o país emissor dessa moeda de reserva não é apenas sistemicamente corrupto, como o é qualquer plutocracia, mas venalmente corrupto, nas palavras de Simon Johnson – um país dirigido por uma oligarquia financeira. Não se pode confiar nos EUA. É preciso encontrar um arranjo monetário alternativo. Esse foi o motivo do empurra-empurra nas vésperas do G20 na semana passada. Fazendo uma leitura do balão de ensaio do Banco Mundial sobre o uso do ouro em um novo arranjo monetário, da observação não-autorizada do Volcker sobre os perigos do QE2 e da afirmação de Greenspan de que os EUA estão intencionalmente desvalorizando o dólar como uma ferramenta de reflação, fica claro até mesmo para um observador qualquer que o papo mudou de vez. As tensões são grandes e tudo pode acontecer.

CI: Como foram os movimentos da semana passada do preço do ouro, resultantes do G20?
EJ: Pura especulação, mas parece que houve uma escalada de USD 50 a caminho da reunião, à medida que o mercado precificava a discórdia entre os membros do G20. Então vimos dois ataques sincronizados contra o preço do ouro e da prata durante a semana passada, um antes da reunião de 9 de novembro e outro durante a reunião de 12 de novembro. Conseguiram raspar 4% do preço de USD 1.421 – o pico no preço do ouro.


Já vi essas mudanças coordenadas nos preços do ouro e da prata muitas vezes ao longo dos anos, como ocorreu em 22 de junho de 2008, quando o ouro caiu de USD 904 a USD 875 e a prata, de USD 17,30 para USD 16,50.


CI: O que essas quedas coordenadas nos preços do ouro e da prata podem significar?
EJ: Pode ter certeza que a compra e venda programáticas de fundos são responsáveis, mas eu estou confortável com a conclusão a que chegamos quando estudamos o caso em junho de 2008: ninguém sabe ao certo. A única certeza é que não há relevância a longo prazo. Se você acha que um sistema monetário e de comércio global quebrado, e que vem quebrando há dez anos, será corrigido em algumas reuniões entre a turma de MBAs de Harvard, então, por favor, venda ouro e compre ações.

A imprensa de Wall Street relatou a queda de 4% com manchetes como "Chacina no Mercado de Ouro". Vamos, mais tarde, comparar a chacina no ouro com a do mercado de ações este ano.

 
Razão do preço do ouro médio mensal / média mensal do S&P 500

O ouro subiu 20% em 2010, comparado com 5% para o S&P500, numa média mensal. Grande chacina... Essa tabela será atualizada para o nosso relatório de final de dezembro, onde vou repassar minhas previsões para o ouro e o mercado de ações para 2010, um ano de reflação pós-recessão.

CI: Você disse que tinha uma atualização do gráfico de 10 anos.
EJ: Aqui está. 2010 vai marcar o décimo ano consecutivo de ganhos no preço do ouro.


Média mensal do preço do ouro versus média mensal S&P500 (janeiro de 2001 a novembro 2010)

Mas o que é um "hedge"?
 
CI: Não se esperaria que o ouro superasse o desempenho das ações no longo prazo.
EJ: O mais estranho sobre o desempenho da nossa carteira de ouro e de obrigações do Tesouro americano é que o ouro e títulos do Tesouro são considerados um hedge contra saques em ativos-base, especialmente ações, mas os hedges supostamente de curto prazo superaram o ativo principal que deveriam estar protegendo. Nós temos só os hedges, e não os bens que deveriam proteger.

CI: Se o desempenho do ouro foi muito melhor este ano do que o esperado, o que nos aguarda para o próximo ano?
EJ: Tenha em mente que o principal motor para o preço do ouro em 2010 foi a reflação, e o principal motor da reflação foi a depreciação do dólar, que deixou p*utos da vida a China, o Brasil e o resto do G20 antes das reuniões da semana passada.

CI: Então não há uma grande correção do ouro a caminho?
EJ: Eu não disse isso. Desde 2001 sobrevivemos a duas correções importantes do mercado de ouro, uma em 2006 e outra em 2008. Não emitimos um alerta de preço para o ouro desde 5 de março de 2008, quando o ouro era negociado a USD 974. Naquela época, em Gold Update: The small trade within the big trade, avisamos que uma correção de USD 200 estava por vir. A correção começou duas semanas mais tarde, depois que os preços do ouro passaram brevemente a marca dos USD 1.000.


Desde 2001, o preço do ouro mostrou quatro tendências distintas de crescimento, como mostrado acima.

A. 2001 - 2006: trade de desvalorização da moeda e da inflação graduais no pós-bolha.
B. Primeiro semestre de 2006: Comércio especulativo rápido.
C. Primeiro semestre de 2006 a 2007: Reinício da desvalorização cambial e do trade gradual da inflação.
D. 2007 - Presente: Novo trade especulativo rápido.

No final das contas, a correção foi mais profunda do que eu esperava, mais perto de USD 300 a USD 200, caindo até USD 712 em outubro, refletindo o impacto do colapso global dos mercados de crédito privado em investimentos não-denominados em dólar, antes da reflação econômica e socorro aos bancos (bailouts) começarem para valer. Aqui está o gráfico atualizado até hoje.



Duas correções importantes preço do ouro durante a escalada de dez anos

O gráfico mostra a correção que previmos para março de 2008 e que, de fato, começou naquele mês. A escalada durante a reflação de hoje atravessou a temporada de eleições nos EUA e também a reunião do G20. Com 20% de ganhos até agora este ano os preços do ouro estão muito à frente do aumento de 4% eu previ em janeiro.

CI: Você acha que as duas correções do preço do ouro, "A" e "B", em 2006 e 2008, respectivamente, podem ser seguidas por uma terceira, "C", em breve?
EJ: Bem, está chegando a hora de alguém cometer uma burrice. Como os governos se colocaram num canto apertado, as únicas saídas são ou aguentar a dor ou então derrubar a parede para tentar escapar.

As defesas contra a deflação de dívidas dos EUA, ou seja, a desvalorização da moeda e a flexibilização quantitativa (quantitative easing), estão criando uma crise de entrada de capitais e de inflação para a Europa, Ásia e América Latina.

As conseqüências domésticas de não cancelar as dívidas da Era da Bolha de Crédito são o alto desemprego crônico e políticas inflacionárias para fechar o chamado Hiato do Produto (Output Gap), que têm o efeito de elevar a inflação nas economias dos parceiros comerciais dos EUA. Não dá para mundo conseguir o que quer.

CI: E quanto a sua previsão para dezembro de 2010, de que o índice Dow Jones chegaria a 7000-8000 até o final do ano?
EJ: Não parece que será o caso.

CI: Mas o índice realmente chegou ao pico perto de 11.000, como você havia dito.
EJ: Certo. A questão era, qual a altura que seria atingida no Segundo Salto da Deflação da Dívida deste mercado em baixa (bear market)? Errei por quatro meses quanto ao momento do fim do primeiro salto. Terminou em abril de 2010, não dezembro de 2009. Ainda vejo um DJIA no intervalo de 7000 a 8000, mas talvez isso leve alguns meses a mais, comparado com o que calculei em janeiro. A questão para as ações é a política de reflação. O impasse no novo Congresso, dividido entre democratas e republicanos, não vai permitir que se realizem cortes, mas também não haverá programas de estímulo, a menos que haja urgência. Um colapso da bolha da China pode criar essa urgência. Vamos ficar de olho nessa questão.

CI: Você acha que devemos ter outra correção no preço do ouro, como aconteceu em 2008?
EJ: Não como em 2008. A estrutura dos mercados de crédito privado não chega nem perto do que era em 2008. Ninguém é tão burro hoje. Ninguém acredita que as agências de rating dos EUA são independentes. Basta ver o mercado de títulos comerciais garantidos por ativos (asset-backed commercial paper).


Ninguém acredita que um título de agências do governo, como Freddie Mac ou Fannie Mae, é "livre de risco". O mesmo vale para uma obrigação do Tesouro dos EUA. Não há risco de default, mas o risco de inflação está presente. Hoje Greenspan alerta de forma aberta sobre isso.

CI: Como o mundo mudou em três anos! Será que a "austeridade" é a próxima onda de política governamentais que vai derrubar os preços das commodities?
EJ: A alavancagem está agora nos balanços públicos, não nos privados, então um repeteco de um impulso deflacionário como em 2008 não é provável. Foi o máximo de "deflação" que veremos pelo resto de nossas vidas. Mas é importante distinguir entre os EUA e a União Européia. Os gestores de fundos podem esperar que as assim-chamadas medidas de "austeridade" reduzam os riscos de crédito soberano ao longo do tempo, mas acho que todos os esforços para cortar gastos do governo de curto prazo serão frustrados pelos custos crescentes da energia a longo prazo, dado o aperto dos altos preços das commodities, o pagamento de dívidas e os baixos salários, que sufocam a classe média americana. No momento, o risco de crédito soberano na Europa é pior do que o dos EUA.


Isso está ajudando a empurrar a rentabilidade das obrigações do Tesouro dos EUA para baixo.

CI: Qual a profundidade possível de uma correção no preço do ouro?
EJ: Podemos ver uma correção de até 20% nos próximos 12 meses, mas fico relutante em dizer isso porque, ao contrário do aviso em março de 2008, o motor desta vez não é tão claro, nem tão certo. Francamente, é baseado em pouco mais do que intuição.

CI: Algo incomoda você?
EJ: Os bancos centrais odeiam ouro a preços elevados. Faz com que pareçam incompetentes. Num mundo perfeito, na visão dos banqueiros centrais, os preços do ouro deveriam ter caído de USD 35 para USD 7,50 após 1971, quando o ouro foi desmonetizado. Mas o que aconteceu é que disparou para USD 850. Durante 16 anos, de 1987 a 2003, o sistema funcionou muito bem, mas mesmo que os bancos centrais não estejam subordinados a governos nacionais, devem certamente prestar contas a eles. A Guerra do Iraque começou a dissolver essa relação estreita. Quando os EUA levaram o sistema financeiro global à falência em 2008, foi a gota d'água para muitos líderes mundiais.

Neste momento, existem numerosos estopins potenciais para a próxima grande correção nos preços do ouro e das commodities. Primeiro, podem forçar os EUA a interromper sua desvalorização da moeda – esse é um deles. A implementação de fato de austeridade nos EUA é outra. Para mim, a probabilidade de isso ocorrer é de quase zero. A austeridade, como observei no início do ano, é uma promessa de campanha para você se eleger. Nenhum político quer cortes de gastos significativos durante o seu mandato, se for possível evitar tal coisa. Outra possibilidade é a percepção de que a guerra cambial que começou em 2001, mas só foi chamada assim publicamente este ano - pelo Brasil - pode estar chegando ao fim. Não é o caso, mas a correção do preço do ouro, imediatamente antes e durante o G20, provavelmente reflete a especulação e vazamentos de informação que poderiam ser tomados como indícios de que um novo sistema monetário está próximo. O ouro disparou antes da reunião com as notícias da discórdia e pode estar passando por uma correção com rumores sobre cooperação entre países, especialmente o que parece ser concessões pelos EUA no sentido de interromper o processo de levar seus parceiros comerciais à pobreza. Os fundos estão negociando com base em boatos. O ouro é um barômetro da discórdia entre bancos centrais. Dado que o G20 terminou sem qualquer resolução para os conflitos do comércio e da moeda, se os preços do ouro subirem na segunda-feira, teremos então a nossa resposta.

CI: O que você acha da declaração de Greenspan, feita no dia antes do início do G20? Ele disse que os EUA estavam seguindo "uma política de enfraquecimento da moeda".
EJ: Os comentários do Greenspan, que não é a minha pessoa favorita, foram seguidos pelos comentários não-autorizados de Volcker sobre a eficácia do QE2, afirmando o óbvio: que os EUA estão usando a desvalorização da moeda não só para aumentar as exportações, mas, como já advertimos há anos, para adiar a deflação da dívida ou escapar de uma armadilha de liquidez usando um truque infalível.

CI: Truque infalível?
EJ: Essa é uma frase que leitores atentos vão se lembrar, das minhas previsões do início de 2007: haveria desvalorização da moeda. Não se trata de aumentar as exportações, como a maioria dos comentaristas acreditam hoje. Não é sobre um tentative de empobrecer seu vizinho com uma moeda fraca para impulsionar as exportações. Trata-se de deflação da dívida. Os EUA estão em uma recessão de balanço. Se os EUA permitirem que o dólar se valorize, perde a principal fonte de sinais de inflação na economia, os preços da energia e das importações. Dá até para imaginar uma reunião com apresentações de PowerPoint. Há o representante dos EUA explicando os perigos da deflação nos EUA. Há o representante da China rebatendo que o gerenciamento da deflação da dívida por meio da depreciação da moeda funcionou para os EUA em 1933, mas não estamos em 1933. Os EUA são um país devedor, e são os credores dos EUA que agora correm perigo com a política dos EUA de deflação da dívida. A China está exigindo ser paga em dólares plenamente valorizados. Queremos uma RMB mais fraco? Podemos aumentar nossas taxas de juros. Mas isso vai destruir a nossa economia, dizem os EUA. E assim por diante. Não admira que não se chega a lugar nenhum. Se os EUA cedessem, uma subida do dólar iria colocar rapidamente os EUA de volta em recessão e deflação. Com um Congresso dividido, uma nova crise será necessária para criar um consenso para implementar novas medidas de estímulo fiscal. Nessa janela de oportunidade, todos os mercados, incluindo o ouro, podem sofrer os efeitos de uma corrida rumo à liquidez. Mas, de novo, isso é tudo especulação. Simplesmente não há nenhuma maneira de saber.

CI: A quanto à história da mídia de massa de que a China pode elevar os juros para combater a inflação e que isso deve derrubar o ouro?
EJ: Talvez. Mas é por isso que é um desperdício de tempo tentar entender os movimentos dos preços do ouro no curto prazo. Se, de fato, a China elevar as taxas e destruir sua economia em sua segunda tentativa de encolher sua bolha imobiliária, até que ponto o ouro vai cair antes que comecem novas medidas de reflação? USD 1.200? USD 1.000? E que efeito essas medidas vão ter? Vão empurrar o ouro para USD 2.000? USD 5.000?

CI: Algumas palavras finais sobre o ouro?
EJ: Nos últimos dez anos, o preço do ouro teve a ver com quem ganha e quem perde o próximo lance do Grande Jogo. Aceite a ambigüidade. Procure anomalias e contradições no enredo contado, em alto e bom som, pela maioria dos analistas.


sábado, 13 de novembro de 2010

Dois É Bom, Três É Melhor?

Jim Rickards

Ler no original

Postado por Marco Aurélio
 
(9 de novembro, 2010 – King World News) Muito se falou sobre o movimento de hoje nos preços do ouro e da prata. Começando com o salto na segunda, dia 8, depois que saiu o editorial de Zoellick no Financial Times, o mercado subiu rapidamente durante a maior parte do dia e depois se deparou com um bolsão de ar expressivo, caindo 2% para o ouro e quase 5% para a prata, durante um curto espaço de tempo no final do pregão.

Numa base técnica, não há nada surpreendente nisso; já vimos movimentos semelhantes antes e espero vê-los novamente. A tendência geral parece ser uma compra forte a níveis progressivamente mais altos, mesmo depois de correções acentuadas. Não há nada muito assustador nisso e nada que indique que as tendências primárias ainda não estejam intactas.

O que foi digno de mênção foi o agente catalisador para a retraída – especificamente, um aumento nas exigências de margem (margin requirements) para contratos futuros de prata. Não houve mudança comparável nas margens dos contratos futuros para o ouro mas, como frequentemente acontece, nos mercados houve um contágio imediato vindo da prata e afetando o ouro, apesar das circunstâncias diferentes. Mas, repito, não é nenhuma surpresa que os mercados estejam em grande medida correlacionados, mesmo quando uma notícia afeta só um ou outro.

Esse é um lembrete claro aos leitores e ouvintes da King World News e é algo que já discutimos antes. A maioria dos mercados consiste de duas partes, o comprador e o vendedor. Mas, no mercado futuro, há uma terceira parte em cada trade – a bolsa, ou, sendo mais específico, as entidades que determinam as regras e os panéis que estabelecem as exigências de margem em cada bolsa. Eles agem não pelo bem dos compradores e vendedores, mas pelo bem da própria bolsa, e é seu dever regimentar manter a ordem nos mercados. Claro, o significado da palavra “ordem” varia de pessoa para pessoa. O que pode ser um salto “ordeiro” para uma posição comprada pode ser desordeiro para uma posição vendida. De qualquer forma, a bolsa tem a última palavra. Existem muitas ferramentas a sua disposição. Podem aumentar as exigências de margem inicial (o valor que você deve disponibilizar ao abrir um contrato), podem aumentar a frequência da variação de margem (obrigá-lo a repor  durante o dia, ao invés de ao final dele) e podem exigir “trading apenas para liquidação” (trading for liquidation only), o que significa que os comprados podem assumir posições vendidas e os vendidos podem assumir posições compradas, mas ninguém pode expandir uma posição ou aumentar o interesse em aberto. Por fim, uma bolsa pode suspender a entrega física e permitir apenas compensações e rolagem (offsets and rolls). Todas essas regras já foram invocadas inúmeras vezes e o serão novamente no futuro.

Quase sempre as partes prejudicadas por essas ações reclamam que a bolsa está “mudando as regras no meio do jogo”. Essa é uma perspectiva ingênua e sem sentido. O fato é que a capacidade de mudar a regra é também uma regra. As bolsas não está mudando as regras – apenas usando um conjunto alternativo de regras que já existem. Os traders devem parar de reclamar e ler o manual. Está tudo lá.

O que é mais intrigante é, o que motiva os responsáveis pelas bolsas a usar essas regras? Será que é realmente um mercado necessitando ordem (a razão costumeira), ou será que é parte de um esforço coordenado maior, envolvendo reguladores federais e agentes governamentais, na tentativa de fazer o possível e o impossível para levantar preços de ativos de risco, como imóveis, ações e junk bonds, enquanto empurram para baixo o preço de ativos “porto seguro”, como ouro e prata?

O ponto principal é que, quando compradores e vendedores transacionam no mercado futuro, eles nunca estão sozinhos. As bolsas monitoram tudo que você faz. Nunca ignore o poder das bolsas e dos reguladores e lembre-se sempre que eles usarão esse poder quando convier a eles – e nao a você.

Siga o Jim Rickards no Twitter em twitter.com/JamesGRickards