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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Espírito de Dilson Funaro Baixa em Ben Bernanke

Por Marco Aurélio

O blog da revista InvestMais analisa a queda nos Treasuries em 8/12. Aponta para a decisão do Obama e do Congresso americano de criar ou prorrogar uma série de medidas de estímulo à economia americana como os responsáveis. Segundo o raciocíncio, mais estímulo é igual a um déficit maior - e isso é ruim para os títulos do Treasury.

Mas a tendência mais abrangente ditando o rumo dos Treasuries (e do dólar) é a decisão - que Bernanke já havia deixado clara - de continuar a tirar dólares da cartola. Essa decisão foi reiterada em entrevista ao programa 60 Minutes, da rede CBS, na noite de domingo, 5/12. Bernanke disse que mais flexibilização quantitativa (conhecida pela sigla em inglês "QE" e, aqui no Brasil, pela expressão mais direta "imprimir dinheiro") é, nas palavras do chefe do Fed, "certamente uma possibilidade". Não que ele houvesse dito antes que mais QE NÃO fosse uma possibilidade. No domingo, só tornou a repetir que o Fed tem uma capacidade ilimitada de criar dinheiro do nada - e não tem medo de usá-la.

Assim o Fed e o Treasury de Geithner vão continuar a salvar bancos (Goldman, Merrill, Bank of America, Citi), hedge funds (como Greenspan, antecessor de Bernanke, fez com o LTCM em 1998), seguradoras (AIG), montadoras (GM, Chrysler, Ford), redes de lanchonetes (McDonald's), fabricantes de equipamento militar (GE), países (Irlanda, Grécia), bancos estrangeiros (UBS, Deutsche Bank) e qualquer entidade com caixa suficiente para manter lobistas no grande bazar que é Washington DC. 

Os brasileiros têm uma vergonha despropositada de seus políticos. Ao contrário dos parlamentares americanos, os brasileiros só fazem mal a seu próprio país. Já os primeiros, além de causar estragos nos próprios Estados Unidos, exportam problemas gravíssimos para o resto do mundo - inclusive, evidentemente, para o Brasil. Esses problemas não são tão fáceis de entender, nem tem nomes tão coloridos, como, digamos, o Valerioduto do Mensalão, a Máfia dos Sanguessugas e outros best-sellers da mídia nacional. Mas o estrago é ordens de grandeza maior.

Assim é com o novo QE de Bernanke, (pre/a)nunciado na noite de domingo. Já é o terceiro pacote. A situação começa a lembrar mais e mais as sucessivas (e fracassadas) tentativas de conter a inflação pelos diversos ministros das Finanças, Fazenda, Economia e Planejamento que se sucederam nos anos 80 e 90, do governo Figueiredo ao Itamar.

A diferença é que, quando um desses pacotes dava errado, tomava-se um avião para Washington para pedir socorro. Mas quando Washington quebra, para onde vira? Como lembra o Roubini, não vai chegar nenhuma delegação de Marte ou da lua para ajudar a resolver a situação de governos soberanos.

E a situação se agrava a cada dia. Os bond vigilantes estão empurrando as taxas de juros para cima - em 7 de outubro, estavam a 2,39%. Na quarta-feira, 8/12, fecharam o dia a 3,27% - um aumento de 36,82% em pouco mais de dois meses.

O Fed, então, pode continuar a imprimir a quantidade de dinheiro que quiser para salvar quem achar que for necessário. Mas vai ter que pagar mais e mais por isso, sob a forma de taxas mais elevadas. O mesmo vale para quem tem dívidas com taxas reajustaveis, como é o caso de detentores de hipotecas. Com taxas mais altas, aumenta o incentivo para atrasar pagamentos, ou simplesmente parar de pagar e devolver o imóvel aos bancos. Isso derruba ainda mais o preço dos imóveis e deixa os bancos comerciais "too big to fail" (Bank of America, Citi, Wells Fargo e JP Morgan Chase) um passo mais perto de ter que revelar seu quadro de insolvência - o que forçaria o Fed a imprimir mais dinheiro para salvá-los, jogando as taxas para cima e derrubando ainda mais os títulos do governo dos EUA.

Dilson Funaro, pai do Plano Cruzado, morreu em 1989. Mas Delfim Netto, Bresser Pereira e Maílson da Nóbrega ainda estão por aqui. Poderiam ser contratados como consultores pelo Fed. Certamente fariam menos estrago do que o Bernanke.

E essa é a razão real por trás da queda precipitosa dos Treasuries e do dólar nas últimas semanas. O resto, como o teatro fiscal do Obama com o Congresso, é ruído.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

T-Bonds a 5%: O Nível que Vai Marcar uma Crise no Bond Market dos EUA

Queda nos Títulos do Governo Americano Ameaça Ilusão de Controle do Fed
Rick Ackerman
8 dezembro de 2010

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Postado por Marco Aurélio

Ben Bernanke, que prometeu jogar dinheiro de helicópteros, se necessário, para combater uma deflação japonesa nos EUA, apareceu no programa 60 Minutes, da rede de TV CBS, na noite de domingo, 5/12/10.

Disse tantas coisas estapafúrdias que é difícil saber por onde começar a criticá-lo. O assim-chamado "entrevistador", Scott Pelley, demonstrou claramente não ter a mínima idéia do que estava falando. Vamos ter que esperar até que o deputado Ron Paul enfrente Bernanke no Congresso americano – só então vamos obter uma imagem mais clara das questões que, segundo o presidente do Fed, estão sob controle.

Durante a entrevista de domingo, o chefe do Fed negou estar imprimindo dinheiro. Pelley não o questionou quanto a essa tecnicalidade. Bernanke também disse que é capaz de matar a inflação de uma hora para a outra, se necessário. Esse absurdo, muito longe do alcance intelectual de Pelley, também passou impune. Ou talvez Pelley não se importe com as implicações letais para a economia implícitas nessa "solução", quais sejam, taxas de juro mais elevadas.

A hora da verdade para a flexibilização quantitativa

Temos péssimas notícias para quem acredita na eficácia da flexibilização quantitativa. Esse aviso vale tanto para o presidente do Fed, quanto para todo mundo que tem dívidas.


Uma olhada no gráfico acima ajuda a entender o por quê. O preço dos títulos de trinta anos no mercado futuro vem caindo feio há dois meses, com um aumento correspondente na taxa de juros. A taxa dos títulos de longo prazo estava em 3,73%, quando a queda começou. Agora está em torno de 4,43% - um aumento de quase 20%. Rick's Picks espera que o T-Bond de março continue a cair, possivelmente para um "pivot oculto" de apoio de 120 10/32. Nesse ponto, as taxas terão subido para cerca de 4,60%.

As coisas poderão ficar muito feias, no entanto, se a sustentação falhar, já que essa ocorrência poderia derrubar os futuros, até chegarem a 117 22/32. A esse preço, as taxas de longo prazo estariam em torno de 4,82%. Aplique essa taxa asfixiante à dívida pública, hipotecas ajustáveis e crédito ao consumidor, e o custo extra seria de centenas de bilhões de dólares para os contribuintes, mutuários e consumidores.

As expectativas mudam

Mas vai ser aí que os problemas do Bernanke vão começar, já que sua principal tarefa é, no final das contas, gerenciar expectativas. Com as taxas de longo prazo subindo lentamente rumo a 5%, esse número viraria um ímã: os credores tomariam como certa a possibilidade da marca de 5% ser alcançada. Inicialmente, o dólar se fortaleceria, à medida que as taxas de juros se soltassem de suas amarras administrativas e subissem rumo a níveis de mercado. Essa tendência poderia continuar, concebivelmente, por alguns meses - talvez por um ano - até que se torne claro que os custos mais altos dos empréstimos estão empurrando os títulos do Tesouro dos EUA rumo a um ponto de ruptura.

Ninguém pode prever o que vai acontecer se as percepções se transformarem em pânico. Mas, de maneira mais imediata, os mercados podem adquirir uma dinâmica própria, fadando ao fracasso os esforços do Fed de suprimir as taxas de juros reais usando nada mais que trapaças, mentiras e enganos.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Chineses Importam 5 Vezes Mais Ouro em 2010, Preço Pode Chegar a USD 1600 Até o Final do Ano

Eric King entrevista Ben Davies
KingWorldNews.com


Postado por Marco Aurélio

Com o ouro e a prata atingindo níveis recordes esta semana, King World News entrevistou Ben Davies, que vive em Londres. Quando perguntei sobre o movimento nos mercados de ouro e prata, Davies afirmou:
Estamos na iminência de ver um enorme short squeeze (aperto nas posições vendidas) no mercado de ouro. Foi isso que vimos no mês passado; a mesma coisa parece que vai acontecer de novo. A demanda física vinda da Ásia está descendo como uma avalanche sobre as posições vendidas de ouro, no mercado de papel. Se isso vale para o ouro, o mesmo também é verdade para a prata – só que elevado ao cubo.
Ben Davies continua:
Mesmo usando a emissão de dívida como forma de financiamento nos EUA, o governo não está conseguindo gerar empregos. O mundo inteiro está se afogando em dívida. O crescimento anêmico na oferta de empregos, embora seja um indicador que se manifesta com certo atraso, foi o que mais contribuiu para o aumento da taxa de desemprego nos EUA para 9,8% e para a baixa renda salarial horária. Os EUA não vão conseguir crescer para melhorar a atual relação entre dívida e PIB. A única maneira de crescer o PIB nominal é continuar a desvalorizar o dólar, por meio de uma flexibilização quantitativa e qualitativa em todo o mundo.
Justo quando os investidores acreditavam que os EUA estavam preparados para crescer, o que ajudaria a melhorar os problemas estruturais da zona do euro, vieram os números sobre a criação de empregos nos EUA em novembro, que acabaram com quaisquer expectativas. Não é à toa que os chineses, como já discutimos, já importaram cinco vezes mais ouro em 2010 do que em 2009. Os chineses gostam de comprar ouro quando o preço cai; evitam correr atrás do produto no mercado. Da mesma forma que antes compravam títulos do governo americano, agora estão comprando ouro. Como o porta-voz do PBOC (People’s Bank of China) recentemente sugeriu de forma implícita, vão continuar a se desfazer de seus dólares para investir em ouro – um ativo monetário.
Então, por enquanto, qualquer queda no mercado de ouro e prata físicos vai encontrar obstáculos. Temos um grande interesse aberto nas opções de compra a USD 1.400 no mercado de ouro (papel) da Comex. Talvez a gente veja uma repetição do squeeze nas opções de compra, igual vimos a USD 1.300 no mês passado. Quanto mais valor criarmos acima de USD 1.400, mais provável se torna que o mercado de papel se venda. Podemos começar a ver os níveis de USD 1.600 que discutimos nas edições anteriores aqui no King World News – isso até o final de 2010. Talvez até tenhamos um pouco de exagero e alcancemos USD 1.800. É preciso estar sempre alerta quando os níveis de volatilidade implícita estão tão baixos num mercado otimista (bull market). Existe uma grande incerteza na economia global, bem como uma grande desconfiança em relação ao dinheiro fiduciário subjacente.
Ben Davies, juntamente com James Turk, previu corretamente essa explosão nos preços dos metais preciosos quando a prata ainda estava na faixa de USD 17 a USD 18. O timing foi literalmente perfeito. Davies já emitiu um alerta para os vendidos (shorts) em ouro. 

Meu conselho é, mais uma vez, sentar e apreciar o circo pegando fogo – sempre um caloroso espetáculo.

Eric King
KingWorldNews.com
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

S&P 500 vs. Compras de Títulos do Tesouro Americano - Uma Correlação que Até Cego Vê

Submetido por Tyler Durden
Zero Hedge
2 de dezembro de 2010

Postado por Marco Aurélio


Em 2008, quando o Fed anunciou que compras de títulos garantidos por hipotecas (mortgage-backed securities, ou MBS, na sigla em inglês) e de agências governamentais como Fannie Mae e Freddie Mac fariam parte do QE1 (o primeiro pacote de flexibilização monetária, ou quantitative easing), pouca gente se surpreendeu. 

Afinal de contas, era a maneira mais fácil de reduzir as taxas de juros das hipotecas. Essa margem de manobra era considerada um ponto crucial, pelo simples motivo de que se acreditava que o Fed ainda mantinha algum controle sobre o mercado imobiliário – uma hipótese já desmentida, uma vez que o mercado imobiliário está de novo em recessão (começou o double dip).

No entanto, as compras pelo Fed de títulos do tesouro americano pareciam um tanto arbitrárias à época: afinal, por que comprar os ativos com a taxa mais líquida e, mais importante ainda, qual classe de ativos derivativos o Fed deveria focar em suas compras de títulos do governo (UST)?

Pouco antes do anúncio dos pacotes seguintes (QE Lite e QE2), houve rumores persistentes de que o Fed iria atrás de MBS novamente para ajudar o mercado imobiliário (lembrem-se de todas aquelas compras pela Pimco – a maior gestora de títulos de renda fixa do mundo, com USD 1,3 trilhão em carteira – de MBS, usando margem. Claro que só mais tarde se descobriu que Bill Gross, chefão da Pimco, espera forçar sua recompra – put back – pelo Bank of America). 

Para surpresa de muitos, os títulos do tesouro americano (USTs) acabaram revelando-se o ativo preferido do Fed, mais uma vez.

Debate-se agora uma questão interessante: se o Fed tem como alvo o mercado imobiliário, então deveria estar comprando MBS novamente. Mas não. Agora que dois anos de QE (nas versões 1, Lite e 2) já se passaram, podemos finalmente executar algumas análises de correlação para descobrir exatamente qual é a classe de ativos que o Fed vem mirando esse tempo todo. 

O gráfico abaixo apresenta o resultado, muito fácil de entender.


Total de títulos do governo nas mãos do Fed vs. o desempenho do SPY, 
o ETF que segue o S&P 500

Uma idéia: o Fed tem mais USD 800 bilhões do QE2 para gastar em compras de títulos do Tesouro...

... E é claro que o quadro acima exclui o preço do ouro em dólares, o que confirma que, em termos reais, o valor da linha preta declinou no decorrer do mesmo período em que ficou progressivamente mais e mais diluído com mais papel, graças à linha vermelha...

Será que o DJIA e o S&P500, que já estão acima de seus níveis pre-Lehman, voltarão a seu pico de 2007?